Imagem: reprodução/pensaragro
Um estudo publicado em 2024 na revista Theoretical and Applied Genetics, com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Embrapa Arroz e Feijão, apresentou um modelo que combina informações ambientais, dados geográficos e resultados de experimentos para estimar o comportamento de diferentes genótipos em locais ainda não testados diretamente.
A tecnologia também avança em outras culturas. Pesquisa publicada em 2025 na revista Advanced Science, utilizando dados de milho, registrou melhoria de até 28,42% na precisão das previsões genômicas após a inclusão de parâmetros ambientais. O resultado representa maior capacidade de previsão dos modelos, e não aumento equivalente na produtividade das lavouras.
Confirmado novo foco da doença de Newcastle
Para o produtor brasileiro, a aplicação prática desses conhecimentos está na escolha de materiais adaptados às condições da propriedade. Uma cultivar que apresenta elevado potencial em áreas com boa distribuição de chuvas não será necessariamente a melhor opção para regiões sujeitas a veranicos frequentes. Da mesma forma, a genética escolhida para solos mais arenosos pode exigir avaliação diferente daquela recomendada para áreas com maior capacidade de retenção de água.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), os resultados de ensaios regionais e o histórico de produtividade da propriedade são instrumentos importantes nesse processo. Eles ajudam a definir a época de semeadura e a identificar condições mais favoráveis para cada cultura, embora não eliminem os riscos climáticos.
A expansão da agricultura para regiões com características ambientais distintas amplia a importância dessas ferramentas. No Matopiba, onde a soja ocupa milhões de hectares e continua avançando, a combinação entre genética adequada, manejo do solo e planejamento da semeadura será decisiva para sustentar o crescimento da produção.
A principal conclusão das pesquisas é que não existe uma cultivar capaz de expressar seu máximo potencial em todas as condições. Em um país que produz soja do Rio Grande do Sul a Roraima, conhecer o ambiente onde a semente será plantada é tão importante quanto conhecer sua capacidade genética. Para o agricultor, essa diferença pode representar mais estabilidade na colheita, melhor aproveitamento dos investimentos e menor exposição aos riscos do clima.
(Com Pensar Agro)
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