MERCADO

Agronegócio brasileiro encosta nos EUA

O agronegócio brasileiro se aproximou do valor exportado pelos Estados Unidos e mantém o avanço das vendas externas em 2026. Nos balanços nacionais de 2025, o Brasil registrou receita equivalente a cerca de R$ 844 bilhões, ante R$ 856 bilhões dos americanos, uma diferença de apenas 1,3%. Os números são do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mas abrangem conjuntos diferentes de produtos.

A expansão brasileira continuou neste ano. De janeiro a setembro, as exportações do setor somaram o equivalente a R$ 667 bilhões, alta de 5,5% sobre o mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). No primeiro semestre, o país já havia registrado vendas de aproximadamente R$ 435 bilhões, crescimento de 6,2%, conforme levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Falhas no uso das máquinas elevam custos

A proximidade entre as receitas alimenta a expectativa de uma ultrapassagem, mas ainda não permite anunciar a liderança mundial. A conta brasileira inclui produtos florestais, como celulose e madeira, que ficam fora da definição de produtos agrícolas adotada pelos americanos. Um ranking comparável exige a mesma cesta de mercadorias e o mesmo período de referência. Também é necessário distinguir países de blocos econômicos, como a União Europeia.

O avanço dos embarques brasileiros tem base no aumento da quantidade vendida. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o volume exportado cresceu 7,5% no primeiro semestre, enquanto os preços médios internacionais recuaram 1,2%. A expansão das entregas compensou a queda das cotações e sustentou o crescimento do faturamento.

Soja e carnes concentram parte importante dessa força comercial. No primeiro semestre, o complexo soja, que reúne grão, farelo e óleo, respondeu por cerca de 40% da receita das exportações do agro. As carnes representaram aproximadamente 20%, de acordo com o IEA. Juntas, essas cadeias produziram seis de cada dez reais obtidos pelo setor nas vendas externas.

Em produtos específicos, a liderança brasileira já está estabelecida. O país é o maior produtor e exportador de soja e lidera os embarques mundiais de carne bovina e de frango. No algodão, consolidou a primeira posição nas exportações: entre agosto de 2025 e julho de 2026, vendeu 3,37 milhões de toneladas, recorde nacional e aumento de 19% sobre o ciclo anterior, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Produção e exportação, entretanto, medem posições diferentes. Na carne de frango, o Brasil lidera as vendas externas, mas aparece atrás dos Estados Unidos e da China em produção. Na carne bovina, o relatório do USDA divulgado em 9 de outubro estima produção brasileira de 12,15 milhões de toneladas em 2026, superior aos 11,29 milhões de toneladas dos americanos. São estimativas, ainda sujeitas a revisão.

O ganho de espaço foi construído com pesquisa, tecnologia e intensificação do uso das áreas agrícolas. O próprio serviço de pesquisa econômica do USDA reconhece o papel dos investimentos em ciência na transformação da agricultura brasileira. A segunda safra de milho também ampliou a oferta exportável e fortaleceu a concorrência com os Estados Unidos, ao permitir outra colheita depois da soja em regiões produtoras.

A China permanece decisiva nesse mercado. Em 2025, absorveu 32,7% das exportações brasileiras do agronegócio, segundo o Mapa. A dimensão das compras ajuda a sustentar as cadeias de grãos e proteínas, mas reforça a importância de ampliar destinos. Para a carne bovina, o relatório de outubro do USDA aponta restrições comerciais em mercados relevantes e maior necessidade de redirecionar embarques.

Para o produtor, o crescimento das exportações amplia as oportunidades de venda, mas precisa se traduzir em remuneração. Preços internacionais, câmbio, custos de produção e frete determinam quanto dessa receita chega à porteira. Sustentar a expansão exige produtividade, qualidade, regularidade de entrega e atendimento às exigências sanitárias dos compradores — condições que pesam tanto na conquista de mercados quanto na permanência neles.

(Com Pensar Agro)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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