Produzir um hectare de soja na safra 26/27 custa mais de R$ 5 mil

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Arquivo/Aprosoja/MS

O produtor de soja de Mato Grosso do Sul chega à safra 2026/2027 diante de uma série de fatores que exigem atenção ao planejamento da lavoura. Além dos custos de produção, o cenário envolve o nível de endividamento, as condições climáticas e o ritmo de compra de fertilizantes.

“O produtor vem de um período de maior endividamento, o clima continua sendo uma variável importante e também observamos uma compra menor de fertilizantes. Tudo isso precisa ser considerado no planejamento da safra, porque pode impactar tanto os custos quanto o resultado final da produção”, explica o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta.

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É nesse cenário que o custo de produção ganha importância. Segundo o Estudo Técnico “Custo de Produção da Soja — Safra 2026/2027”, elaborado pela Aprosoja/MS, produzir um hectare de soja custa, em média, R$ 5.024,82.

Considerando o preço médio de R$ 119,52 por saca, o produtor precisa colher 42,04 sacas por hectare para cobrir todos os custos da atividade.

Maior despesa

Os insumos continuam sendo o principal componente da conta. Eles representam R$ 3.078,63 por hectare, o que representa 61,27% do custo total.

Dentro desse grupo, os fertilizantes são responsáveis por R$ 1.367,31 por hectare, enquanto os defensivos somam R$ 1.071,42. As sementes representam outros R$ 542,50 por hectare.

“Isso significa que mais de R$ 6 de cada R$ 10 gastos para produzir um hectare de soja estão concentrados nos insumos”, relata o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

O estudo aponta que uma das principais possibilidades de reduzir a pressão sobre os custos é planejar as compras com antecedência, aproveitando períodos de preços mais favoráveis.

Para o analista de Economia, Raphael Gimenes, além dos insumos, o produtor precisa acompanhar despesas como combustível, crédito e frete. “No levantamento, o diesel foi considerado a R$ 6,45 por litro, os juros de financiamento em 14,25% ao ano e o frete com uma distância de referência de 80 quilômetros”.

Quanto o produtor precisa colher?

O chamado ponto de equilíbrio mostra quanto é necessário produzir para que a receita cubra os custos.

Com o preço médio considerado no levantamento, são necessárias 42,04 sacas por hectare para cobrir o Custo Total. Quando são considerados apenas os gastos que efetivamente passam pelo caixa da propriedade, o ponto de equilíbrio cai para 38,54 sacas por hectare.

A produtividade de referência utilizada no estudo é de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras.

Nesse cenário, a margem é positiva, mas não significa que o produtor esteja protegido contra oscilações. Uma queda na produtividade, uma redução no preço da soja ou um aumento no valor dos insumos pode alterar rapidamente o resultado.

Arrendamento

Para o produtor que trabalha em terra arrendada, a margem de segurança é menor.

O estudo considera um arrendamento médio de 15 sacas por hectare, equivalente a R$ 1.792,80 por hectare. Com esse valor, o custo total sobe para R$ 6.817,62 por hectare, e o produtor precisa colher 57,04 sacas por hectare para cobrir todos os custos.

Esse ponto de equilíbrio fica acima da produtividade de referência de 52,4 sacas por hectare, deixando o produtor arrendatário mais exposto a problemas de produtividade, preços ou aumento dos custos.

Clima

A previsão climática para Mato Grosso do Sul no trimestre de setembro a novembro indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de irregularidade na distribuição das precipitações, principalmente no início do período de transição entre a estação seca e a chuvosa.

Ao mesmo tempo, os modelos apontam para temperaturas acima da média e risco de períodos de calor intenso e ondas de calor. A previsão do Cemtec/Semadesc também indica a permanência do El Niño, que pode influenciar as condições climáticas no Estado.

Para o produtor, o cenário reforça a importância de acompanhar a evolução das chuvas e das temperaturas durante o plantio. A própria previsão destaca que, apesar da tendência de maior volume de chuva no trimestre, a distribuição ao longo do período pode ser irregular.

Expectativa de Produtividade

De acordo com estimativa do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, a expectativa de produtividade para a primeira safra 2026/2027 é de 52,4 sacas por hectare, uma redução de 13,2% em relação à safra anterior.

Sobre o estudo

O levantamento foi elaborado pela Aprosoja/MS com base na Norma de Custo de Produção 30.302 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), adaptada à realidade da produção empresarial de soja em Mato Grosso do Sul.

Os coeficientes técnicos e os preços dos insumos foram coletados diretamente com produtores, técnicos de campo e fornecedores da região entre 1º e 30 de julho de 2026.

O estudo completo, com a composição detalhada dos custos, está disponível clicando aqui.

(Com Crislaine Oliveira/Comunicação Aprosoja/MS)

Foto: arquivo da Aprosoja/MS

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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