AGRICULTURA

Produção de soja e milho muda perfil da mão de obra no campo

Mato Grosso do Sul registrou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026. O avanço da produção ocorre junto a mudanças no mercado de trabalho rural, com redução da quantidade de pessoas ocupadas diretamente nas lavouras e aumento da participação de atividades relacionadas à agroindústria, aos agrosserviços e ao suporte técnico.

Os dados do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea em parceria com a CNA, mostram que o agronegócio brasileiro empregou 28,40 milhões de pessoas em 2025, maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O número representa 26,3% da população ocupada no país e corresponde a um aumento de 601.806 trabalhadores em relação a 2024.

Frio, geada e chuva exigem cautela no plantio

Enquanto a agroindústria teve aumento de 1,4% nas contratações e os agrosserviços cresceram 6,1%, o segmento primário recuou 1,1%, com redução de 87.378 trabalhadores.

Na agricultura, a soja registrou queda de 6,9% na população ocupada, equivalente a 31.987 pessoas. No milho, a redução foi de 10%, ou 43.087 trabalhadores.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, os dados refletem a tecnificação no campo.

“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”.

Em Mato Grosso do Sul, a produção de soja e milho tem participação na economia estadual e nas exportações. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio do Estado.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações sobre admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, também mostram esse movimento no Estado.

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais. A agropecuária respondeu por 1.256 vagas, enquanto construção civil, serviços, indústria e comércio apresentaram saldos superiores.

Os dados também apresentam variações relacionadas ao calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas no Estado. Em agosto de 2025, o setor teve saldo negativo de 175 vagas, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja.

Com o encerramento do vazio sanitário em 15 de setembro e a liberação do plantio a partir de 16 de setembro, a demanda por mão de obra relacionada à soja volta a acompanhar o calendário da nova safra.

Remuneração

Um levantamento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) apresenta diferenças de remuneração conforme o nível de escolaridade dos trabalhadores da agropecuária.

Nos municípios analisados, mulheres com ensino superior completo apresentaram remuneração média de R$ 5.138,46, enquanto aquelas com ensino médio tiveram média de R$ 2.378,29. Os dados são referentes ao levantamento realizado com base em informações da Rais e do Caged de 2021.

“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”, finaliza Raphael.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

 

(Com Crislaine Oliveira/Aprosoja/MS)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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