Tornado em Piraí do Sul na tarde de sábado | REDES SOCIAIS
Um tornado atingiu a área rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no fim da tarde do sábado (8), provocando danos expressivos em propriedades e deixando um cenário de destruição em diferentes localidades do interior do município. As áreas de Jararaca, Fundão, Capinzal, Vassoura e Boa Vista estão entre as mais afetadas.
A localidade de Capinzal foi uma das que registraram os maiores impactos. Imagens feitas após a passagem do fenômeno mostram árvores de grande porte completamente destruídas, troncos quebrados e arrancados, galhos retorcidos e vegetação espalhada pelas propriedades. Também foram relatadas mortes de animais, aumentando os prejuízos enfrentados pelos moradores da região rural.
O levantamento divulgado pela Defesa Civil aponta que 20 residências foram atingidas. Ao menos 20 pessoas ficaram desalojadas e precisaram deixar suas casas, sendo acolhidas por familiares. Algumas moradias tiveram danos importantes.
A destruição também afetou acessos e estradas da região. Árvores derrubadas bloquearam trechos de circulação e dificultaram o deslocamento dos moradores. Máquinas da prefeitura foram mobilizadas para remover troncos e galhos e liberar os caminhos para que as equipes de atendimento pudessem chegar às comunidades atingidas. Durante o atendimento, foram distribuídas lonas para cobrir imóveis danificados, numa tentativa de proteger as residências da chuva que poderia voltar a atingir a região.
Equipes municipais permaneceram mobilizadas para identificar novas famílias afetadas e levantar os prejuízos provocados pela passagem do tornado. Apesar da dimensão dos estragos, não havia registro de mortos ou feridos entre os moradores atingidos até as informações divulgadas.
O fato de não haver vítimas contrasta com a violência observada nas áreas rurais, onde árvores foram completamente destroçadas e estruturas ficaram danificadas.
Em Piraí do Sul, o trabalho de assistência e levantamento dos danos continuou neste domingo. A prioridade das equipes foi atender as famílias que perderam condições de permanecer em suas casas, liberar os acessos e identificar a extensão dos prejuízos deixados pelo tornado.
TORNADO IMPRESSIONOU PELA DIMENSÃO
O tornado que atingiu o Paraná apresentou em determinado momento, pelas características observadas nas imagens, uma configuração do tipo wedge, termo em inglês usado para descrever tornados com aspecto de cunha.
Esse formato é caracterizado por uma circulação muito ampla, que pode assumir uma aparência mais compacta e robusta, diferente dos tornados estreitos e alongados conhecidos como rope, ou “corda”.
Nas imagens do fenômeno, o tornado aparece como uma grande estrutura escura sob a base da tempestade, com uma largura significativa e pouca aparência de estreitamento junto ao solo. A circulação se destaca sobre a paisagem rural, formando uma espécie de parede ou coluna larga, característica que permite enquadrá-la visualmente na categoria wedge.
O termo wedge não corresponde, entretanto, a uma categoria de intensidade. Ele descreve o formato e a aparência do tornado, e não necessariamente a velocidade dos ventos ou o potencial de destruição. Assim, um tornado com aparência de cunha pode apresentar diferentes intensidades, dependendo das características da circulação e dos danos produzidos.
Esse tipo de tornado contrasta com o chamado tornado corda, que costuma apresentar uma estrutura muito mais estreita e alongada. Os rope frequentemente têm aspecto de corda ou tubo, podendo apresentar curvas e contorções bastante marcadas. Um mesmo tornado, contudo, pode mudar de aparência durante seu ciclo de vida, passando de uma configuração mais larga para uma forma estreita ou fazendo o caminho inverso.
Por isso, a identificação do tornado paranaense como wedge deve ser entendida como uma classificação visual de sua estrutura observada nas imagens. A intensidade do fenômeno precisa ser determinada por meio da análise dos danos provocados em edificações, vegetação, infraestrutura e outros elementos atingidos.
TERCEIRO TORNADO EM APENAS 12 DIAS
O tornado registrado em Piraí do Sul, no Paraná, neste sábado (8) foi o terceiro observado na Região Sul em apenas 12 dias.
O primeiro ocorreu em 28 de julho, no Noroeste do Rio Grande do Sul, atingindo áreas de diferentes municípios e provocando danos em propriedades, árvores e estruturas. Registros feitos por moradores mostraram os efeitos da passagem do fenômeno e os estragos deixados nas áreas atingidas.
O segundo tornado foi registrado em 6 de agosto, em Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul. O fenômeno atingiu áreas do município e provocou danos em construções, árvores e estruturas. Imagens feitas após a passagem mostraram telhados danificados, árvores quebradas e outros impactos provocados pela força dos ventos.
O QUE É UM TORNADO
Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.
Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.
Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices. Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul.
Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.
Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano.
Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade.
O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.
(Com METSUL)
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