Tecnologia norte-americana de análise de solo pode auxiliar produtores paranaenses

Em viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos EUA, agricultores conheceram solução que mede propriedades do solo e identifica pragas, incluindo nematoides
Uma das áreas de soja de Amarildo Agnolin, presidente do Sindicato Rural de Nova Cantu, na região Centro-Oeste do Paraná, tem estimativa de perda de até 40% devido a nematoides (vermes microscópicos, incluindo espécies parasitas que atacam raízes de vegetais). Ao destruir o sistema radicular, os nematoides impedem a absorção de água e minerais pelas plantas, que podem murchar, apodrecer e morrer.

O problema não é restrito a uma única cidade ou região do Paraná. Silvio Marcolina, presidente do Sindicato Rural de Coronel Vivida, no Sudoeste do Estado, conta que diversos produtores associados já relataram prejuízos por nematoides, em especial na cultura da soja.
“O nematoide, quando faz a lesão na raiz, abre portas para outras doenças radiculares. Assim, pode até dizimar uma lavoura. As perdas são acentuadas quando existe, na propriedade, esse tipo de desafio”, explica Marcolina.

Os líderes rurais encontraram uma possível solução para essa adversidade ao conhecer os laboratórios da empresa EarthOptics, em São Francisco, na Califórnia. A visita aconteceu durante a viagem técnica aos Estados Unidos promovida pelo Sistema FAEP na primeira quinzena de agosto. O grupo de 40 produtores rurais é o terceiro de cinco que vão realizar a viagem em 2026.
Pedro Barbieri Castanho, diretor de Operações e Vendas da EarthOptics no Brasil, afirma que a empresa é, hoje, a única do ramo que detecta nematoides, além de fungos e bactérias. Castanho conta que, graças a essa tecnologia, um cliente agiu com rapidez para eliminar os vermes, recuperando uma plantação que começava a sofrer com nematoides de galha (que induzem o crescimento de inchaços nas raízes).
“É importante ter um laudo do que está acontecendo no solo e, em cima disso, ter uma ação. O resultado permite que produtores tomem medidas para evitar doenças e melhorar a saúde do solo”, diz Castanho.
Vanessa Reinhardt, coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP, explica que por meio dessa análise de solo é possível verificar, além da presença do nematoide, a quantidade e a diversidade dos organismos. A partir disso, pode-se avaliar os potenciais danos para a cultura.
“Na análise tradicional, a gente pega uma amostra de solo e faz a contagem e identificação desses organismos. Porém, quando eles estão em menor quantidade no solo, dificilmente aparecem na amostra. A vantagem dessa tecnologia é identificar o problema quando ele ainda não começou a se mostrar na planta”, esclarece.
A análise realizada pela empresa norte-americana permite, ainda, a identificação de toda a microbiota do solo. Dessa forma, o produtor tem uma visão geral das características e necessidades da terra e pode, então, traçar um plano de ação. Para controlar os nematoides, por exemplo, é possível que a técnica mais eficaz seja estimular outros organismos que predam os vermes ou, ainda, investir em um mix de cobertura que ajude a controlar os parasitas. A melhor escolha varia de caso a caso.
“Existem diferentes tipos de nematoides. Há espécies que causam danos e outras que são predadoras daqueles que estão causando estragos. Então, ter um nematoide não quer dizer necessariamente que ele vai prejudicar a plantação. É preciso ter a análise completa para saber a quantidade, as espécies e determinar o melhor controle para o problema na lavoura”, pontua Vanessa.
Marcos Minghini, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Claro, conta que sua região teve problemas com nematoides, no passado, principalmente na cultura do café.

“Precisamos ter mais laboratórios que ofereçam exames biológicos mais aprofundados, para o produtor saber o tipo de nematoide que está atacando sua lavoura e ir atrás da tecnologia adequada para essa espécie”, observa. “Antigamente, havia só ações preventivas, como rotação de cultura ou material enxertado com café. Agora, existem os produtos biológicos, que estão ganhando espaço e apresentam resultados legais”, complementa.
No retorno da viagem técnica, Agnolin pretende compartilhar o conhecimento sobre análise de solo com os produtores de Nova Cantu, além de buscar alternativas para que esse tipo de tecnologia seja acessível aos agricultores paranaenses.
“Acredito que uma parceria entre laboratórios como esse e cooperativas seria uma colaboração. Vou entrar em contato com cooperativas no Paraná para ver se já existem iniciativas relacionadas a pesquisas sobre nematoides e incentivá-las a buscar um bom laboratório”, afirma o dirigente sindical.
‘Gêmeo digital’ do solo
A tecnologia da EarthOptics consiste no mapeamento e medição das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, incluindo, por exemplo, dados de pH, umidade, níveis de carbono, macro e micronutrientes, textura, compactação, DNA dos microrganismos presentes, entre outras informações. A empresa utiliza sensores, inteligência artificial e amostras físicas para criar mapas de alta resolução sobre propriedades agrícolas. Esses mapas integram dados contínuos para simular o comportamento do solo ao longo do tempo. O objetivo é dar suporte para que o produtor tome decisões precisas, eficazes e bem-informadas.
“Nós basicamente construímos um ‘gêmeo digital’ do solo”, resume Patrick Schwientek, diretor de Tecnologia da empresa. “Nele, o produtor consegue ver as doenças que afetam cada área da sua plantação e saber com o que deve se preocupar. A mesma coisa vale para os nutrientes, para saber onde suplementar, onde já tem nutrientes suficientes, e dessa maneira economiza”, complementa.
A EarthOptics atua desde 2023 no Brasil, em Campinas, atendendo cerca de 400 produtores e contabilizando 300 mil hectares analisados anualmente.
Para Marcolina, o produtor rural precisa, cada vez mais, empregar a tecnologia a seu favor. O líder rural está preparando um material sobre as visitas técnicas nos Estados Unidos, para compartilhar por meio do Sindicato de Coronel Vivida e rádios locais.
“Espero, com isso, contribuir para que outros produtores tenham noção do quanto é importante o uso de tecnologia nas nossas propriedades. Quero que o produtor, lá na sua propriedade, tenha os melhores resultados e saiba que existem caminhos para isso”, conclui.
(Com Assessoria FAEP)











