Imagem: Agência FPA
Ao menos 30 entidades do setor produtivo encaminharam um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pedindo a mobilização do governo federal para viabilizar a dragagem de manutenção da hidrovia do Rio Tapajós. Segundo as instituições, a falta da intervenção pode provocar impactos de até R$ 850 milhões na cadeia produtiva, além de aumentar as emissões de carbono.
O documento classifica a medida como “urgente” para garantir a navegabilidade da hidrovia. A rota faz parte do chamado Arco Norte, conjunto de corredores logísticos utilizados para o escoamento da produção pelos portos das regiões Norte e Nordeste.
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Entre os possíveis impactos de uma paralisação da hidrovia, as entidades apontam:
Somente no Rio Tapajós, a movimentação de cargas chegou a 16,8 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior. O resultado reforça a importância crescente do corredor para a logística nacional.
A maior preocupação é com a safra 2026/2027. Cerca de 88% do volume transportado pela hidrovia corresponde a soja e milho, o que torna a rota estratégica para o escoamento da produção do Centro-Oeste, principal região produtora desses grãos. Apenas no primeiro bimestre de 2026, foram movimentadas 2,04 milhões de toneladas de soja e milho.
A dragagem de manutenção consiste na retirada de sedimentos, como areia e outros materiais acumulados no leito do rio, para preservar as condições de navegação. O procedimento está diretamente relacionado ao calado das embarcações, medida correspondente à profundidade da parte do navio que permanece submersa. Quando o nível dos rios cai, diminui também a margem de segurança entre a embarcação e o fundo do canal, limitando a quantidade de carga transportada e, em situações mais críticas, impedindo a navegação.
Segundo o documento, a preocupação aumenta diante da possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode reduzir as chuvas na região Norte e provocar queda no nível dos rios.
As entidades fazem um comparativo com o El Niño registrado entre 2023 e 2024. Naquele período, o déficit de chuvas na Bacia do Tapajós chegou a 80 milímetros no pico da seca, levando o nível do rio a ficar abaixo do mínimo necessário para a navegação.
“O primeiro quadrimestre de 2026 já mostra um comportamento parecido com o de 2023, o que torna a repetição do problema bastante provável”, afirmam as instituições no ofício.
Além da proximidade da safra, outro fator aumenta a urgência: a janela disponível para a execução da dragagem. De acordo com o documento, o maquinário utilizado na operação precisa começar a ser retirado do rio a partir de setembro.
Outro ponto apresentado é que a dragagem de manutenção não tem o mesmo impacto ambiental da dragagem de aprofundamento. A primeira serve para conservar a infraestrutura já existente e não está sujeita à licenciamento ambiental, conforme a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
O documento também menciona acordo de cooperação firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI), que permite a realização da dragagem de manutenção pelo setor privado. Segundo as entidades, a operação poderia ser executada sem custos para o poder público.
O alerta também se estende a outras hidrovias estratégicas, como a do Rio Madeira. “O tratamento tempestivo e continuado dessas hidrovias é essencial para a resiliência do sistema de transporte nacional, e o presente pleito, embora centrado no Tapajós, alinha-se a essa necessidade mais ampla de manutenção permanente das hidrovias brasileiras”, afirmam.
O ofício desta sexta-feira reforça uma demanda apresentada anteriormente ao governo federal. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já havia encaminhado documento pedindo providências para garantir a navegação no Tapajós, mas, até o momento, não houve a execução das medidas solicitadas.
Com o novo documento, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura intensifique a articulação junto à Casa Civil e aos demais órgãos responsáveis para viabilizar a dragagem nos pontos críticos da hidrovia antes do período mais severo de seca.
(Com Agência FPA)
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