PECUÁRIA

Dia de Campo destaca uso de biodigestão na suinocultura

O Sistema FAEP, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Embrapa e a Cooperativa dos Produtores de Energia e Adubo (Coopenad), promoveu um Dia de Campo voltado à biodigestão de resíduos animais.

O evento realizado na sede da Coopenad, no município de Salgado Filho, no Sudoeste do Paraná, reuniu 135 participantes, entre suinocultores, técnicos, representantes de prefeituras municipais e presidente de sindicatos rurais, como Albino Poposki, de Francisco Beltrão, e Osvaldo da Rocha, de Realeza.

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“O produtor que dá destino aos dejetos resolve, ao mesmo tempo, um passivo ambiental e reduz o custo de produção, pois economiza em insumos. Hoje com as margens apertadas, é fundamental encontrar alternativas”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer a estrutura da Coopenad usada para compostar cama de aves e o digestato da biodigestão, que resulta em um composto orgânico de alta qualidade — matéria-prima para fertilizantes organominerais. Segundo o responsável pela cooperativa, Volmir Anater, o projeto nasceu de uma necessidade concreta dos produtores da região.

“O nascimento da Coopenad permitiu resolver as questões de licenciamento das granjas, dando um destino adequado aos dejetos e, a partir deles, gerando biogás e energia”, afirma Anater, que produz até 52 mil perus por lote, sendo oito, ao ano.
Hoje, a estrutura recebe diariamente cerca de 160 mil litros de dejetos coletados nas granjas associadas, que abastecem a unidade de processamento da cooperativa. Para viabilizar o projeto, a entidade investiu R$ 20 milhões.

“O investimento nessa área precisa de um estudo de viabilidade confiável. É preciso decidir o que fazer com o biogás, entre geração de energia, produção de biometano, uso da energia calorífica. A associação entre vários produtores é muito interessante, mas as questões logísticas precisam ser muito bem avaliadas”, orienta Anater.

“A experiência da Coopenad é um exemplo de como os produtores podem transformar um desafio ambiental em uma nova fonte de renda para o campo”, complementa Meneguette.

Estações técnicas

A programação do Dia de Campo foi dividida em três estações temáticas, que percorreram diferentes etapas do aproveitamento de resíduos da produção animal — da compostagem à geração de energia.

Na primeira estação, o professor Carlos Alberto Casali, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Dois Vizinhos (UTFPR-DV), apresentou a técnica da compostagem e os cuidados de manejo envolvidos no processo. Casali compartilhou seis anos de pesquisas do grupo Biofert, da instituição, sobre o uso do composto como substituto de fertilizantes minerais, além de tabelas de recomendação para culturas como trigo, soja e milho. O material, ainda em fase de conclusão, deve ser disponibilizado futuramente a produtores e técnicos.

Na segunda estação, o engenheiro agrônomo Volmir Anater, idealizador da Coopenad, detalhou o processo de produção dos fertilizantes organominerais. A base do produto é a matéria orgânica compostada, complementada por fontes minerais de nitrogênio (sulfato de amônia, MAP ou NP), fósforo (MAP, DAP, NP, superfosfato simples ou triplo) e potássio (cloreto de potássio).

Anater ainda explicou as exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para esse tipo de produção: soma mínima de 10 pontos de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), ao menos 8% de carbono orgânico e Capacidade de Troca de Cátions (CTC) mínima de 80%. Ele também comparou a eficácia dos organominerais frente aos fertilizantes minerais convencionais e resumiu o funcionamento da fábrica da cooperativa.

Na terceira estação, o pesquisador Ricardo Steinmetz, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), abordou o biogás e o biometano como ativos energéticos, com aplicações que vão da geração de eletricidade à substituição de diesel e gasolina. Foram destacados os benefícios ambientais da biodigestão, sobretudo o potencial de redução das emissões de carbono, e os participantes puderam observar de perto o funcionamento de um biodigestor.

Steinmetz também apresentou duas ferramentas de apoio ao setor: a calculadora BIOGASFORT®️, que estima o potencial de produção de biogás em cada propriedade; e a plataforma e-Campo, com cursos gratuitos sobre temas do agronegócio.

 

(Com FAEP)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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