Dia de Campo destaca perdas ‘invisíveis’ de solo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Faep

Mais de 100 produtores rurais, técnicos agrícolas e estudantes de colégios agrícolas e instituições de ensino superior participaram, no dia 5 de agosto, em Toledo, na região Oeste do Paraná, do primeiro de cinco Dias de Campo de Solos promovidos pelo Sistema FAEP em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).

O encontro proporcionou capacitação técnica e difusão de práticas de conservação e manejo do solo. Os participantes eram dos municípios de Assis Chateaubriand, Bom Princípio, Cafelândia, Cascavel, Diamante do Sul, Marechal Cândido Rondon, Missal, Nova Santa Rosa e Toledo.

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O Dia de Campo em Toledo contou com a parceria do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (Napi Prosolo/Rede Agropesquisa), que disponibilizou a megaparcela onde foram realizadas as atividades. A área é utilizada há oito anos para estudos que avaliam, em condições reais de produção, os efeitos de diferentes práticas de conservação.

Os palestrantes do Napi Prosolo apresentaram os resultados dos estudos relacionados as quatro estações técnicas sobre o monitoramento da perda de solo e água em áreas com e sem terraceamento; a avaliação dessas perdas na microbacia e no rio; a análise de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos do solo; e o manejo de dejetos suínos para uso nas lavouras.

“A programação buscou aproximar os nossos produtores do conhecimento produzido pelas instituições de pesquisa e contribuir para a adoção de práticas adequadas às características de cada região. Conservar o solo é preservar o principal patrimônio do produtor rural e garante que a atividade agropecuária continue crescendo e sustentável ao longo das gerações”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Os participantes demonstraram bastante interesse. A repercussão foi positiva”, complementa a pesquisadora Graziela de Cesare Barbosa, do Napi Prosolo.

Na ocasião, o segundo livro publicado pela Rede Agropesquisa foi entregue aos produtores como forma de reconhecimento pela colaboração com os estudos.

Resultados visíveis

O produtor rural e vice-presidente do Sindicato Rural de Toledo, Edenilson Carlos Copini, acompanhou os resultados da área com terraços e outra na qual as estruturas foram retiradas, sem mudanças no restante do sistema produtivo.

“É possível perceber que, onde não havia terraceamento, ocorreu uma perda grande de água e de solo. Sem essa contenção, parte do solo foi para o rio, com uma perda significativa de fertilidade”, relata. “Para manter o potencial produtivo do solo e deixá-lo para as próximas gerações, precisamos cuidar. Não se trata somente do terraceamento, mas de um conjunto de práticas que, aplicadas de forma integrada, faz a diferença”, reforça.

Para a integrante da Comissão de Mulheres do Sindicato Rural de Toledo, Gladis Knebel Schneider, um dos motivos do retorno dos processos erosivos na região tem relação com a retirada das curvas de nível em propriedades.

“O Dia de Campo retomou um tema que precisa ser debatido. Muitos produtores estão retirando as curvas de nível e a erosão está voltando às lavouras. Nas estações técnicas, pudemos verificar o que perdemos durante as chuvas fortes, com a microbiota e a fertilidade do solo sendo afetadas, enquanto a água e os sedimentos chegam aos rios”, observa.

Os prejuízos causados pela erosão não se limitam à área cultivada. O transporte de partículas de solo, nutrientes e matéria orgânica para cursos d’água favorece o assoreamento dos rios e reduz a capacidade produtiva das lavouras. Por isso, os pesquisadores destacam que práticas como terraceamento, plantio em curva de nível, plantas de cobertura e rotação de culturas devem ser utilizadas de maneira complementar.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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