Imagem: Canva
Brasil e China assinaram protocolo sanitário que abre caminho para a exportação brasileira de cálculo biliar bovino, produto raro que pode valer mais que ouro. O país responde por aproximadamente 40% da oferta mundial e poderá vender diretamente para o principal mercado consumidor desse insumo.
O cálculo é uma formação natural encontrada na vesícula ou nos ductos biliares de apenas 1% a 2% dos bovinos, principalmente animais mais velhos. É composto por substâncias presentes na bile, como bilirrubina, ácidos biliares e colesterol, e utilizado há mais de 2 mil anos em fórmulas da medicina tradicional chinesa.
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A retirada ocorre no frigorífico, depois do abate e durante o processamento das vísceras. A vesícula é aberta, a bile é filtrada e os cálculos são separados, limpos e secos em ambiente controlado. O processo pode levar até três semanas. Cor, tamanho, integridade, concentração de bilirrubina e qualidade da secagem determinam o valor comercial.
O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que sejam necessários cerca de 200 mil abates para a obtenção de um quilo de material natural com qualidade farmacêutica. Nem todo cálculo encontrado pode ser aproveitado, uma vez que peças quebradas, contaminadas, mofadas ou mal conservadas perdem valor.
O Brasil possui aproximadamente 238,2 milhões de bovinos e abateu o recorde de 42,94 milhões de animais sob inspeção sanitária em 2025. Estimativas de mercado apontam uma produção nacional próxima de 2 toneladas anuais. Como o país representa cerca de 40% da oferta, a produção mundial estaria ao redor de 5 toneladas por ano. Não existe, porém, uma estatística internacional consolidada sobre esse mercado.
Além do Brasil, aparecem entre os principais produtores Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Chile, Estados Unidos e Austrália. A China demanda até 5 toneladas por ano, mas possui capacidade interna estimada em apenas 1 tonelada, o que explica a dependência das importações e a valorização do produto natural.
As exportações brasileiras declaradas de cálculo biliar cresceram de cerca de R$ 398 milhões em 2019 para R$ 1,37 bilhão em 2024. Até agora, Hong Kong funcionava como a principal porta de entrada do produto na Ásia. Argentina e Uruguai eram os únicos países autorizados a vender diretamente para a China continental.
Para a cadeia pecuária, o acordo cria uma oportunidade de agregar valor a um subproduto do abate que durante muitos anos foi descartado ou comercializado por canais indiretos. O desafio será organizar uma cadeia rastreável e segura em um mercado marcado por escassez, preços elevados e risco de adulteração.
(Com Pensar Agro)
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