Foto: Reprodução
Um produtor rural foi baleado durante o cumprimento de uma decisão judicial em uma fazenda no município de Feliz Natal, no norte de Mato Grosso. A operação havia sido autorizada pela Justiça para garantir o pagamento de uma dívida agrícola, permitindo que a empresa credora colhesse parte da safra de milho.
O produtor Maikel Alan Tespesel, que estava em uma caminhonete acompanhado da esposa e dos dois filhos, foi atingido por disparos de arma de fogo no rosto e na cabeça. Mesmo ferido, ele conseguiu dirigir até o pronto atendimento da cidade e posteriormente foi transferido para o Hospital Regional de Sorriso.
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Segundo informações da Polícia Militar, os tiros foram disparados por Renato Anzilago, contratado pela empresa para realizar a colheita judicial. Após os disparos, Maikel acelerou o veículo e atropelou Renato, que também ficou ferido e precisou de atendimento médico. Uma vigilante que fazia a segurança da operação ainda disparou contra o pneu da caminhonete. A cena foi registrada em vídeo pela família do produtor.
A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do confronto, tratando o caso como tentativa de homicídio. A caminhonete e a arma da vigilante foram apreendidas, enquanto a pistola usada por Renato ainda não foi localizada. A disputa judicial envolve a empresa Agrex do Brasil, que obteve autorização para colher cerca de 48 mil sacas de milho como garantia da dívida. A defesa da família de Maikel afirma que o débito ainda estava em discussão e que houve descumprimento contratual por parte da empresa.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) se manifestou logo após o episódio, repudiando a violência ocorrida durante o cumprimento da decisão judicial na fazenda em Feliz Natal. A entidade destacou que o setor agrícola não pode ser palco de confrontos armados e pediu uma investigação rápida e rigorosa por parte das autoridades, para que os responsáveis sejam responsabilizados e situações semelhantes não voltem a acontecer. A Aprosoja reforçou ainda a necessidade de maior segurança e transparência em operações judiciais que envolvem propriedades rurais e colheitas, ressaltando que o caso expõe a vulnerabilidade dos produtores diante de disputas contratuais e judiciais.
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