Produtores de alho pedem medidas para barrar produto estrangeiro

Fernanda Toigo

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Imagem: Freepik

Aumento dos custos de produção no mercado interno, avanço das importações e suspeita de práticas de dumping têm reduzido a competitividade dos produtores de alho no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), o alho chinês chega ao país com preço cerca de 15% inferior ao custo da produção brasileira. Além da China, a Argentina também ampliou sua presença no mercado interno, sob suspeita de práticas desleais de comércio.

Integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Ismael dos Santos (PL-SC), destacou a situação de Santa Catarina. Segundo o parlamentar, o cenário pode inviabilizar até 60% da safra de alho no estado.

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“A Argentina está colocando um quilo de alho no Brasil a R$ 6. O produtor brasileiro está vendendo a R$ 11, por causa do custo. Hoje, 80% do alho produzido na Argentina vem para o Brasil. O que isso significa? Estamos colocando em risco, só em Santa Catarina, 60 mil empregos”, afirmou o deputado.

O cenário foi apresentado aos parlamentares da bancada e também ao ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), André de Paula, durante a reunião-almoço da FPA realizada na última terça-feira (14). A Anapa entregou um pleito com dados sobre os custos de produção no Brasil e o volume de compras vindas da China e da Argentina.

O documento pede duas ações. A primeira é a abertura de investigação antidumping sobre o alho argentino. Entre as alegações, está a de que o produto estaria entrando no Brasil fora dos padrões e classificações exigidos. “Faz-se necessária a abertura de investigação antidumping, com vistas à apuração técnica das condições de concorrência e eventual aplicação de medidas de defesa comercial”, destacou a associação.

A segunda demanda trata da medida antidumping atualmente aplicada aos fornecedores chineses. No ano passado, o governo fixou em US$ 16,90 o compromisso de preço para a importação da caixa de 10 quilos de alho da China. Desde então, o valor foi reajustado para US$ 15,80, e a Anapa alerta que, na próxima revisão, ele pode cair para US$ 15.

De acordo com o presidente da associação, Rafael Corsino, apenas o custo de produção no Brasil já supera esse valor. “Com a guerra e outros fatores, o nosso custo, que era de US$ 23 por caixa, hoje já está em US$ 24”, afirmou durante a reunião. O pleito da entidade é pela revisão do modelo adotado pelo Brasil no mecanismo de compromisso de preço aplicado ao alho chinês.

(Com Agência FPA)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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