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Ostras estão sendo dizimadas e maricultores estão preocupados

A morte de ostras tem preocupado maricultores em Florianópolis, um dos maiores responsáveis pela produção nacional de moluscos. Segundo relatos dos produtores, as perdas nesta safra podem chegar a 90%.

Segundo Lincoln Venâncio, maricultor que cultiva ostras no Sul da ilha, a porcentagem de moluscos mortos em sua produção estão em 80%. Neste ano, ele cultivou cerca de 1,5 milhão de ostras jovens, mas perdeu praticamente tudo.

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Por que a mortalidade das ostras está tão alta em Florianópolis?

A causa da mortalidade alta das ostras tem relação com a temperatura da água do mar, que passou de uma média de 28ºC para 34ºC neste último verão. Com isso, o ambiente de cultivo dos moluscos, as fazendas marítimas, foi fortemente afetado.

Vinicius Marcus Ramos, presidente da Federação das Empresas de Aquicultura, relata que essa é uma situação que se repete nos últimos anos, mas a temporada mais recente foi a pior de todas. “Foi extremamente fora da curva. Com uma mortalidade de 90%, não existe nenhuma produção que resista a isso”, explica.

Maricultores perderam quase tudo na última safra. Foto: Divulgação

Ele ainda alerta que se a situação se repetir, a produção dos moluscos corre sérios riscos. “Imagina o consumidor ter que pagar 90% a mais por uma ostra? Fica inviável para todo mundo”, argumenta.

Paulo Constantino, empresário que produz ostras, também relata que sua produção foi totalmente zerada. “Estou há trinta anos neste ramo e nunca passei uma situação como esta”, conta.

Santa Catarina é responsável por 98% da produção nacional Foto: Divulgação/ND

O que pode ajudar?

Em uma das fazendas visitadas pela reportagem, os moluscos mortos ocupavam pelo menos uma área de 100 m² e 8 metros de altura. Só em 2026, estima-se que a perda tenha sido, até agora, de 72 milhões de ostras.

Segundo o ecólogo marinho e professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Paulo Horta, uma das soluções pode ser utilizar algas no ambiente de cultivo das ostras.

Cultivo de algas pode ajudar contra a mortalidade do moluscoFoto: Reprodução/NDTV

“Quando a temperatura aumenta, leva à redução da solubilidade do oxigênio e à capacidade que as algas têm de produzi-lo”, explica. Por isso, introduzir algas no ambiente aumentaria a produção e retenção de oxigênio no ecossistema. “É aí que vêm as soluções baseadas na natureza, usando algas, por exemplo, para produzir o oxigênio necessário para toda essa biodiversidade”, analisa.

(Com NDMais)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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