Congresso quer colocar biocombustíveis no centro da transição energética

Fernanda Toigo

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Imagem: reprodução/pensaragro

O agronegócio brasileiro começou a se mover de forma mais organizada para não ficar à margem das decisões que vão definir o futuro da matriz energética do País. Deputados ligados ao setor lançaram nesta quarta-feira (04.02) a Coalizão pelos Biocombustíveis, uma articulação inédita no Congresso que reúne diferentes frentes parlamentares com um objetivo claro: garantir que os biocombustíveis tenham papel central no chamado Mapa do Caminho da transição energética brasileira.

A coalizão une a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Frente Parlamentar Mista da Economia Verde, a Frente Parlamentar do Biodiesel e a Frente Parlamentar do Etanol. Na prática, trata-se de uma resposta política do agro ao avanço das discussões sobre descarbonização, num momento em que o governo federal estrutura diretrizes para reduzir, de forma gradual, a dependência de combustíveis fósseis.

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Coordenador-geral da iniciativa, o deputado federal Arnaldo Jardim afirmou que a primeira ação concreta do grupo será encaminhar ao governo federal uma proposta formal para incluir os biocombustíveis como eixo estratégico do plano em elaboração. A coordenação do documento está sob responsabilidade da Casa Civil, com participação dos ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente.

Nos bastidores, a leitura do setor é clara: se o agro não ocupar espaço agora, corre o risco de ver a transição energética ser desenhada com foco excessivo em fontes importadas, soluções urbanas ou modelos que ignoram a realidade produtiva do campo brasileiro.

Em dezembro do ano passado, o presidente da República determinou a elaboração de uma resolução com diretrizes para esse Mapa do Caminho, estabelecendo prazo de 60 dias para apresentação da minuta — que se encerra oficialmente em 8 de fevereiro. Apesar disso, parlamentares avaliam que o texto dificilmente ficará pronto dentro do cronograma original.

Para a Coalizão, o mais importante não é a data, mas o conteúdo. A avaliação é de que o Brasil já possui vantagens competitivas claras na produção de etanol, biodiesel, biogás e bioquerosene, mas falta transformar esse potencial em política de Estado, com previsibilidade regulatória, financiamento e estímulo à expansão industrial.

Além da articulação em torno do plano energético, o grupo também pretende acompanhar de perto a regulamentação da Lei do Combustível do Futuro, considerada estratégica para destravar investimentos em novas biorrefinarias e no aumento da capacidade instalada do setor. Entre as diretrizes defendidas pela Coalizão estão o fortalecimento do desenvolvimento tecnológico nacional, a adoção do ciclo completo dos biocombustíveis como critério de avaliação ambiental e a ampliação de linhas de crédito específicas para o segmento.

Entidades do setor produtivo veem a iniciativa como um passo necessário para reduzir incertezas. Para a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), a articulação no Congresso ajuda a dar sustentação política a decisões de longo prazo, fundamentais para quem investe no campo e na indústria. A avaliação é de que, sem segurança jurídica e regras claras, projetos bilionários simplesmente não saem do papel.

A expectativa da Coalizão é que o posicionamento do agro ganhe ainda mais força ao longo de 2026, com a apresentação das propostas brasileiras nos fóruns internacionais de clima. Até lá, o setor trabalha para deixar claro que biocombustível não é tema acessório na transição energética — é ativo estratégico, geração de renda no campo e uma das principais cartas do Brasil na disputa global por energia limpa.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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