Como será o clima em fevereiro

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fevereiro terá muitos temporais com chuva forte no Sudeste do Brasil | FOTORUA/NURPHOTO/AFP/METUL

Fevereiro é o último mês do chamado verão meteorológico (trimestre de dezembro a fevereiro), embora o verão astronômico chegue ao fim apenas no dia 20 de março, às 11h45.

Como mês de verão, obviamente é quente e costuma registrar dias de muito alta temperatura com chuva principalmente de natureza convectiva, ou seja, associada ao ar quente e úmido com altos volumes localizados que costumam trazer alagamentos, inundações repentinas e tempestades, algumas severas.

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No Sul do Brasil, historicamente, o mês não costuma ser muito chuvoso na maioria das áreas. A exceção é para o Leste de Santa Catarina, do Paraná e às vezes o extremo Nordeste gaúcho por conta da atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, um canal de umidade que se origina na Amazônia, passa pelo Centro-Oeste e chega ao Sudeste. Às vezes, a inclinação da ZCAS traz chuva abundante para áreas mais ao Leste do Sul do Brasil, exceto o Litoral Sul gaúcho.

Porto Alegre tem em fevereiro algumas das suas maiores médias de temperatura do ano. De acordo com as normais 1991-2020 da estação do Jardim Botânico, a temperatura mínima média é de 20,7ºC, idêntica ao mês de janeiro e superior a de dezembro de 19,4ºC ou março de 19,5ºC. Já a média máxima histórica do mês na capital gaúcha é de 30,5ºC, a segunda mais alta entre os meses do ano, atrás dos 31,0ºC de janeiro.

Na cidade de São Paulo, na estação do Mirante de Santana, a média mínima histórica para o Mirante de Santana é de 19,6ºC, a mais alta do ano. Por sua vez, a média máxima mensal de 29,0ºC é a mais alta da climatologia anual da capital paulista, sendo superior à de janeiro de 28,6ºC.

A chuva média histórica de janeiro em Porto Alegre é de 110,8 mm. Trata-se da terceira menor entre os meses do ano. Já em Florianópolis, a média mensal de precipitação de fevereiro é de 198,3 mm, a segunda mais alta entre os meses do ano e apenas atrás de janeiro. Em Curitiba, média mensal de chuva no mês de 188,7 mm, segundo maior valor da climatologia anual e só superado por janeiro.

Em São Paulo, a média de precipitação histórica de fevereiro é de 257,7 mm, a segunda mais alta da climatologia anual e somente atrás dos 292,1 mm de janeiro. Em Belo Horizonte, por sua vez, a climatologia histórica de chuva em fevereiro é de 177,7 mm.

É o auge da estação chuvosa em muitas cidades do Sudeste do Brasil que têm em janeiro e fevereiro os seus meses mais chuvoso do ano pela influência da instabilidade tropical com ar quente e úmido que traz os temporais, além do impacto dos episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul.

FEVEREIRO COM NEUTRALIDADE NO PACÍFICO

O último boletim semanal sobre o estado do Pacífico da agência climática dos Estados Unidos, publicado no começo desta semana, indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de -0,3ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste.

Esta região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño ou La Niña e ainda avaliar qual a sua intensidade. O valor negativo de -0,3ºC está na faixa de neutralidade (-0,5ºC a +0,5ºC). Por outro lado, a região Niño 1+2, está com anomalia de -0,2ºC.

NOAA

A tendência é a manutenção das condições de neutralidade durante o mês de fevereiro, o que vai contribuir para a continuidade do padrão de chuva com distribuição muito irregular no Rio Grande do Sul. Até o final do mês pode ter início um processo acentuado de aquecimento das águas nas costas do Peru e do Equador, o que pode levar mais tarde a um El Niño costeiro.

CHUVA EM FEVEREIRO

Fevereiro, como mês do auge do verão, tem a comum irregularidade da chuva com significativa variabilidade nos totais de chuva de uma área para outra. Em um mês, ponto de um município pode ter muita chuva e outros baixos volumes de precipitação. Os volumes são determinados demais por pancadas que são isoladas.

No decorrer de fevereiro, espera-se que a chuva, no geral, fique perto ou pouco abaixo da média na maior parte do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, mas dado que a instabilidade tem origem convectiva com grande variabilidade de volumes algumas áreas terão chuva acima da média e outras mais abaixo.

São comuns temporais que podem despejar enormes quantidades de chuva em setores isolados com inundações e deslizamentos, o que contribui para esses excessos localizados. Projeção de chuva acumulada do modelo europeu até 15 de fevereiro

| METSUL

No Sul do Brasil, a primeira semana de fevereiro deve ter chuva excessiva em áreas do Leste de Santa Catarina e do Paraná. No decorrer do mês, a tendência é de chuva acima da média em várias áreas do Paraná, especialmente no Norte e no Leste, no Leste e no Nordeste catarinense e no extremo Nordeste do Rio Grande do Sul. No restante da região, chuva perto da média com maior irregularidade e maior déficit de precipitação no Sul do território gaúcho.

Apesar da chuva irregular, o forte calor deve provocar pancadas de chuva localizadas com risco de temporais – alguns fortes a severos com danos – que podem trazer acumulados altos em curto período em pontos isolados e vendavais.

No Rio Grande do Sul, do ponto de vista da climatologia histórica, as regiões Norte, Leste e Nordeste do estado têm uma maior propensão a episódios de pancadas de chuva pelo calor, incluindo o Litoral Norte que sofre maior influência das correntes de umidade que atuam nesta época do ano no Sudeste do Brasil e nos litorais de Santa Catarina e do Paraná.

É sempre importante lembrar que nesta época do ano, durante o verão climático, a chuva no Brasil está associada principalmente ao calor e à umidade. Nuvens carregadas se formam por convecção e podem despejar altíssimos volumes localizados de chuva em curto intervalo, não raro com vendavais ou granizo. Estas tempestades isoladas fazem com que os volumes dentro de uma mesma cidade, região e estado variem demais nos meses de verão com alagamentos, inundações e deslizamentos.

TEMPERATURA EM FEVEREIRO

A perspectiva é de mais um mês com temperatura perto ou abaixo da média na maior parte do Sudeste pelo padrão chuvoso assim como em diversas áreas do Centro-Oeste, exceção de áreas do Mato Grosso. No Sudeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo têm a possibilidade de marcas acima da climatologia em diferentes municípios.

No Sul do Brasil, a tendência é de um mês com temperatura entre a média e acima da média na maiorias das áreas com os maiores desvios positivos no Rio Grande do Sul e no Oeste de Santa Catarina, onde a chuva mais irregular tende a favorecer um maior número de dias quentes.

Devem ser esperados dias de calor excessivo, em particular no Rio Grande do Sul, com temperaturas máximas ao redor e acima de 40ºC em vários municípios. Nesta primeira semana de fevereiro, sobretudo no final, é alta a probabilidade de dias de calor muito intenso a extremo no território gaúcho.

(Com METSUL)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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