Histórias comoventes: moradores de Rio Bonito do Iguaçu começam a reconstruir a vida

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

O estudante Eduardo Henrique Zanotto, 22 anos, não imaginava o tamanho do estrago que seria feito pela chuva, que depois confirmou ser um tornado. “No momento em que começou a destelhar a casa, eu e minha mãe corremos para o banheiro. Meu pai ficou para trás e acabou se abrigando debaixo de uma mesa, e isso foi o que salvou ele. Ele foi arrastado, se machucou todo, cortou a perna, ficou com o braço ferido, com um pedaço de madeira preso”, detalhou o jovem.

“Assim que o vento parou, ele conseguiu entrar no banheiro, retirou a madeira, mas começou a sangrar muito. Improvisamos um pano para estancar o sangue e pedimos ajuda para os vizinhos, porque tudo aqui estava cercado, cheio de fios caídos, e a gente não sabia se estavam energizados”, continuou.

Insumos hospitalares chegam de helicóptero à Rio Bonito

Os pais de Eduardo foram para uma unidade de saúde e, mesmo debilitado, o pai já estava na linha de frente, dirigindo a ambulância até Laranjeiras do Sul, uma vez que não havia motorista disponível para levar as pessoas que necessitavam de atendimento. “Acho que ele sentiu que precisava ajudar, e foi o que ele fez.”

Ele destaca que os vizinhos já começaram a reconstruir, em uma rede de solidariedade. “Tem gente que nunca tinha visto e veio ajudar, famílias de outros municípios, amigos que vieram de longe. Minha irmã veio de Foz do Iguaçu na mesma noite para dar apoio. Ver tanta gente se unindo assim é muito importante. Dá força pra seguir em frente”, finalizou.

Clique aqui e veja as entrevistas em vídeo

Carla Kerkhoff, de 24 anos, recorda com detalhes o fim de tarde que mudou a história de Rio Bonito do Iguaçu. “Naquele dia, meu marido chegou mais cedo do serviço, parece que foi Deus que mandou ele vir antes. O problema começou por volta das 6 horas da tarde. O tempo já estava muito feio. De repente, vimos o telhado das casas da frente sendo arrancado”, detalhou.

Eles se jogaram no chão e se abrigaram embaixo de uma mesa. “Logo em seguida, tudo desabou. O telhado caiu, estragou todos os móveis. Foi perda total. As cadeiras, os armários, tudo destruído. Se tivesse atingido a gente diretamente, não sei o que poderia ter acontecido”, complementou.

Ela teve ferimentos nas pernas e roxos pelo corpo, após ser atingida pelos estilhaços de vidro da janela e pedaços do telhado. A casa onde eles moravam era alugada. Desde a tragédia, Carla e o marido estão na casa de parentes. “As medidas anunciadas, como ajuda financeira e apoio às famílias, trazem um pouco de esperança. Porque, sem isso, não temos condições de recomeçar. A nossa família é simples, ninguém tem como ajudar financeiramente. Essa ajuda é essencial para gente. É o que vai salvar nossa vida agora”, afirmou.

A idosa Anatália Lunardi, de 63 anos, relata os momentos de terror vividos durante a passagem do tornado. “Os vidros começaram a estilhaçar, aquele barulho todo, e ficamos apavorados. Foi feia a coisa. Quando conseguimos sair, olhamos a vizinhança, tudo destruído, todo mundo na mesma situação. Foi apavorante”, lembrou.

“Na hora, eu me escondi embaixo da mesa de madeira para tentar me proteger. Meu marido foi para a parte dos fundos e ficamos sem saber o que fazer. Ali perto da minha casa, o pessoal começou a se unir para ajudar, fazer doações, e eu acho isso muito bom. É o que tem que ser feito, ajudar quem mais precisa. Tem pessoas que ficaram sem nada, as casas foram levadas inteiras, e infelizmente teve gente que morreu”, disse, se solidarizando com os vizinhos que estão em situação igual ou muito pior do que a dela.

“Agora é a hora da reconstrução. Vai ser aos pouquinhos, não tem como fazer tudo rápido. Um ajuda o outro, e assim a gente vai tentando levantar. Não é fácil para ninguém, mas a gente tem que ter força para recomeçar. Eu sempre falo para os meus vizinhos ‘temos que ter força, estamos vivos, vamos à luta’. Agora é reconstruir e seguir a vida aqui em Rio Bonito. A cidade vai se reerguer. Com união e ajuda de todos, logo tudo volta ao normal”, arrematou.

(Com AEN/PR)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias