Frota brasileira de veículos tem a menor pegada de carbono do mundo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Faep

A frota de veículos brasileira é referência mundial no quesito pegada de carbono, conforme pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group (BCG). Esse indicador comprova o histórico de sustentabilidade do agronegócio nacional na produção de biocombustíveis, em especial, o etanol, na comparação com mercados como Europa, Estados Unidos e China.

O levantamento da Anfavea indica o fato de que os veículos brasileiros que rodam com etanol são os com menores taxas de emissões de gás carbônico (CO²) no mundo. Como comparação, os automóveis feitos na China e movidos à combustível fóssil estão no topo da lista de mais poluentes. Esse dado reforça como os biocombustíveis são uma ferramenta importante para promover a descarbonização na indústria brasileira.

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“Essa é mais uma prova da importância do setor agropecuário para a sustentabilidade do planeta. O meio rural produz um combustível altamente sustentável, que reduz as emissões de CO2 [gás carbônico]. Precisamos fomentar isso, cada vez mais, principalmente no meio urbano”, destaca o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Desde a década de 1970, o Brasil estabeleceu uma política nacional para utilização do etanol como combustível. O composto, feito principalmente à base de produtos agropecuários como cana de açúcar e milho, é 90% menos poluente em relação a gasolina comum. Como comparação, no Brasil, carros de pequeno porte são proibidos de serem movidos a diesel desde a década de 1990. Na Europa, diversos países têm estabelecidos metas para adotar o mesmo modelo até 2050.

“Nós temos o etanol como uma fonte renovável de combustível. Acabamos de passar a mistura para 30% do etanol, com perspectiva de chegar a 35%. Não tem paralelo no mundo”, explica Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP.

Dentre as ações promovidas pelo Sistema FAEP em prol do desenvolvimento sustentável envolvendo a frota de veículos está o programa “Movido pelo Agro”. O projeto visa incentivar o consumo de etanol nos automóveis do Paraná, tanto no meio urbano como nas cidades. Como exemplo, a frota de 52 veículos da entidade é abastecida exclusivamente com álcool. Cada automóvel roda, em média, 3 mil quilômetros por mês, totalizando cerca de 156 mil quilômetros. Com a opção pelo etanol, evita-se a emissão de 263,8 mil quilos de COpor ano. Para se absorver esse volume de gás carbônico seriam necessárias 1.820 árvores.

Frota de 52 veículos do Sistema FAEP é abastecida exclusivamente com etanol

No Paraná, a Prefeitura de Maringá, no Noroeste do Paraná, adotou a campanha Movido pelo Agro, encampada em junho pelo Sistema FAEP. Com isso, a frota oficial do município, composta por 712 veículos da linha flex, passou a ser abastecida exclusivamente com etanol.

Conforme estimativa da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), que desenvolveu o “Movido pelo Agro” em 2023, o programa reduz as emissões de gás carbônico em 140 toneladas por ano, a partir da substituição da gasolina pelo etanol por parte das entidades que aderiram.

Biocombustíveis na COP30

Até o dia 21 de novembro, o Brasil recebe a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), quando o Brasil vai apresentar ao mundo a posição de vanguarda na produção de biocombustíveis.

“Isso sinaliza o compromisso do Sistema FAEP e do setor agropecuário paranaense com o futuro nesse cenário. Não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista ambiental”, aponta Meneguette.

Atualmente, o Brasil conta com 360 plantas produtoras de etanol, sendo que 24 estão no Paraná. Em 2024, o país utilizou 348,1 milhões toneladas de matéria-prima para a produção de etanol. A maior parte é a partir da cana-de-açúcar (90,6%), milho (4,9%) e melaço (4,5%).

Ainda durante o evento global, o Sistema FAEP vai apresentar as ações sustentáveis do agronegócio paranaense. O principal objetivo é demonstrar como o segmento contribui de forma positiva para a agenda climática.

Inclusive, o Sistema FAEP elaborou o documento “Soluções da agropecuária paranaense para a agenda climática”. A listagem é longa e abrange, entre outros pontos, técnicas sustentáveis de manejo capazes de mitigar as emissões de CO2 e práticas voltadas ao uso racional de tecnologias e insumos, que colocam a produção estadual em linha com os desafios globais de produção sustentável. Parte deste trabalho é desconhecido pelo público urbano, de modo que outro objetivo do documento do Sistema FAEP é dar visibilidade à atuação do meio rural, principalmente na conservação dos recursos naturais.

COP-30-Sistema-FAEP_versao-resumida.pdf

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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