Começa o período de chuvas de verão

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Calor no verão forma nuvens carregadas isoladas do tipo Torre Cumulus e Cumulonimbus com chuva forte e temporais em pontos localizados | IARA PUNTEL/ARQUIVO

Esta semana marca uma guinada no regime anual de chuva mais ao Sul do Brasil com o começo da temporada de chuva de verão, em que calor e umidade se combinam com ocorrências de chuva e temporais localizados da tarde para a noite em dias de mais alta temperatura.

Mais ao Sul do Brasil, em particular no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o regime de chuva anual costuma ter dois momentos. Nos meses mais frios, a origem da chuva está em sistemas de grande escala. Nos mais quentes, em convecção diurna.

Entre grande parte do outono e novembro, todos os anos, a chuva no Rio Grande do Sul e Santa Catarina tem como causa principal sistemas de grande escala como centros de baixa pressão ou ciclones, frentes frias ou quentes, e ainda pela circulação de umidade de centros de alta pressão no oceano.

No verão, a maioria destas situações de maior escala ainda traz chuva, apesar de maneira menos frequente, mas, por outro lado, soma-se uma outra causa para a precipitação que é convecção ativada pela temperatura mais alta.

Convecção é o processo pelo qual o ar quente sobe na atmosfera. Em dias quentes, o solo aquece intensamente e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir. À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens. Quando a convecção é intensa, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais.

Por isso, principalmente entre novembro e março, é comum que ocorra chuva isolada da tarde para a noite. Não raro, mais em dias de intenso calor, tais pancadas podem trazer volumes altíssimos de chuva em curto período com alagamentos e inundações repentinas. Há vários precedentes de chover em meia hora ou uma hora o que é comum chover na média da metade de um mês ou até um mês todo.

No Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, a temporada de chuva convectiva começa mais cedo que no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já no fim de setembro outubro o aquecimento diurno favorece instabilidade, mas entre novembro e março há o auge da chuva convectiva com o pico em janeiro. Também nestes dias tórridos, com marcas de 35ºC a 40ºC, cresce o risco de tempestades localizadas intensas com vendaval e granizo.

Os temporais às vezes são severos e com danos, podendo desencadear até tornados e microexplosões atmosféricas. Foi o que, por exemplo, ocorreu no temporal arrasador que atingiu Porto Alegre em janeiro de 2016.

Estas pancadas mais intensas e temporais muito isolados e passageiros associados ao calor que ocorrem no período quente do ano são verdadeiro tormento para quem prevê o tempo com dificuldades de prognóstico que não se costuma ter no inverno.

Por quê? É possível prever pancadas e temporais isolados numa determinada região, mas estabelecer exatamente onde ocorrerão com antecedência é muito difícil.

São inúmeros os casos de parte de uma cidade estar com sol e calor na mesma hora que outra parte da mesma localidade, a poucos quilômetros, estar sob chuva e temporal. Ou uma cidade estar com chuva e o município imediatamente ao lado estar com sol.

É o que leva muita gente a questionar nas redes sociais durante o verão onde está a chuva que a Meteorologia indicou para a sua cidade. O público enxerga em aplicativos ícones de sol e chuva, mas a chuva pode não cair no ponto em que a pessoa está e sim em algum local próximo. A previsão, portanto, não está necessariamente errada. Pode ter chovido alguns bairros adiante de onde a pessoa reside.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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