Bicho-da-seda: Paraná reforça liderança nacional e projeta ações para 2026

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Os pesquisadores do Laboratório de Melhoramento Genético de Bicho-da-Seda, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Foto: Divulgação UEM Foto: IDR

Bicho-da-seda em destaque! A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) participou, em Maringá, da última reunião de 2025 da Câmara Técnica da Sericicultura. O encontro reuniu entidades públicas e representantes da Fundação de Fiação de Seda Bratac para apresentar o balanço das ações do ano e discutir o planejamento que irá orientar os trabalhos do setor em 2026.

Durante a reunião, a equipe da Adapar — formada por chefes de divisões técnicas e pelo Escritório Regional de Maringá — apresentou um panorama atualizado das atividades de fiscalização e defesa sanitária realizadas nos últimos dois anos. O foco foi o fortalecimento da proteção à sericicultura, especialmente no monitoramento do uso de agrotóxicos e na prevenção de episódios de deriva, que continuam sendo a principal causa da mortalidade do bicho-da-seda no estado.

O Paraná segue como maior produtor nacional de casulos, responsável por mais de 80% da produção brasileira, consolidando uma cadeia produtiva de forte impacto econômico e social, sobretudo para agricultores familiares da região Noroeste. A Câmara Técnica do Complexo da Seda, espaço multissetorial de debate e articulação, reforçou a importância da integração entre órgãos públicos e setor produtivo para manter a competitividade e a sustentabilidade da atividade.

Desafios persistentes

De acordo com Leandro Dadalt, chefe da Divisão de Controle de Agrotóxicos da Adapar, a produção enfrenta obstáculos recorrentes.
“São desafios diários: condições climáticas desfavoráveis, excesso de temperatura, falta de chuva, a manutenção da sanidade das lagartas — conduzida pelos técnicos da Bratac — e, principalmente, a convivência com as lavouras agrícolas, que dependem da aplicação de agrotóxicos para o controle de pragas”, explicou.

O engenheiro agrônomo destacou ainda que a atuação preventiva da Adapar tem sido essencial:
“A agência trabalha para promover a correta aplicação de agrotóxicos, orientando os agricultores a adotarem boas práticas que evitem que esses produtos atinjam as áreas de amoreiras e de criação do bicho-da-seda, preservando a atividade, que é majoritariamente conduzida por agricultores familiares.”

Caminho para 2026

As instituições participantes reafirmaram o compromisso de manter a excelência da produção paranaense e proteger os sericicultores. As propostas para 2026 incluem o fortalecimento da pesquisa, o aprimoramento da assistência técnica e a ampliação das ações de defesa agropecuária, direcionadas ao desenvolvimento sustentável da cadeia.

Valorização e protagonismo feminino

A sericicultura é vital para milhares de famílias no Noroeste e coloca o Paraná — e o Brasil — em posição de destaque mundial pela qualidade da seda. Neste ano, o 41º Encontro de Sericicultores do Paraná, realizado em julho em Cruzeiro do Sul, anunciou as dez melhores produtoras do estado pelo Concurso Seda Paraná, iniciativa da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em parceria com o Gabinete da Primeira-Dama.

As duas primeiras colocadas foram premiadas com uma viagem para a França, onde representarão o estado na feira internacional Silk In Lyon, entre 20 e 23 de novembro. O Governo do Estado também mantém o Programa Seda Paraná, que promove e estimula a atividade, com atenção especial às mulheres produtoras.

Produção em números

O Paraná responde por  86% da produção nacional de fio de seda , seguido por São Paulo (10%) e Mato Grosso (4%).  Nova Esperança, no Noroeste, mantém o título de capital nacional da seda, com produção de 94,44 toneladas de casulos no último ano, cultivados em 250 hectares de amoreiras — resultado que gerou um VBP de R$ 3,1 milhões.

Em 2024, 148 municípios paranaenses integraram a cadeia produtiva, com amoreiras plantadas em 2.460 hectares e produção de 1,35 mil toneladas de casulos, resultando em um Valor Bruto de Produção de R$ 44,4 milhões. A atividade destaca-se pela forte presença feminina e pela predominância de pequenas propriedades, além de manter exportações para países como França, Itália, Japão, Índia e China.

Com a conclusão da última reunião do ano, o setor fecha 2025 com metas claras e uma articulação sólida para seguir ampliando a produtividade, a sustentabilidade e a visibilidade da seda paranaense no cenário internacional.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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