Preço de ouro: Ibama apreende 19 toneladas de caviar

Uma megaoperação de fiscalização ambiental resultou na apreensão de 19 toneladas de ovas de peixe-voador, também conhecido como caviar, no Porto do Pecém, no Ceará, nesta terça-feira (30). A carga, avaliada em mais de R$ 15,7 milhões, seria exportada para Formosa, em Taiwan, mas acabou barrada por irregularidades na documentação apresentada pela empresa responsável.
A ação foi coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Receita Federal, e identificou divergências entre os dados declarados e os verificados durante a investigação. A principal infração foi a incapacidade da empresa de comprovar a origem legal do pescado— requisito fundamental para exportações de produtos de origem animal.
Como consequência, a empresa foi autuada e multada em R$ 411,7 mil por infração ambiental. A carga permanecerá sob responsabilidade da própria empresa — agora como fiel depositária — até que as autoridades decidam o destino final do produto.
Produto de alto valor agregado
O material apreendido trata-se de ovas de peixe-voador (Cypselurus), mais conhecidas no mercado internacional como tobiko ou golden caviar. Altamente valorizadas na gastronomia asiática, especialmente na culinária japonesa, essas ovas podem atingir o preço de até €10,60 (R$ 66,17) por embalagem de 80g, quando processadas.
Com esse preço, o carregamento interceptado poderia render aproximadamente €2,5 milhões (R$ 15,7 milhões) no mercado internacional, tornando-se uma das maiores apreensões do tipo no país nos últimos anos.
Monitoramento mais rígido
A ação demonstra o avanço da fiscalização ambiental brasileira, que vem se modernizando com o uso de tecnologia, cruzamento de dados e parcerias internacionais. O Ibama tem intensificado os controles sobre a cadeia produtiva da pesca, especialmente sobre espécies de alto valor comercial e suscetíveis à exploração irregular.
“A rastreabilidade e a legalidade da origem dos produtos são requisitos básicos. Quem exporta precisa estar com a documentação em dia e comprovar a sustentabilidade da atividade”, destaca um técnico do órgão.
A operação reforça o compromisso do Brasil com o combate à pesca ilegal, à exportação irregular e à preservação dos recursos naturais, especialmente num momento em que o país busca maior protagonismo nos mercados internacionais de produtos sustentáveis e rastreados.











