Lupion denuncia “especulação imobiliária descarada” em terras indígenas e critica Camex por não reconhecer dumping no leite

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, esteve reunido com representantes do setor no Sindicato Rural da região para discutir uma série de demandas e preocupações dos produtores rurais do Oeste do Paraná. A visita, segundo as lideranças locais, é vista como uma oportunidade crucial para dar visibilidade às questões do agronegócio regional e buscar apoio no Congresso Nacional.

“Nós temos que aproveitar as oportunidades, quando a visita de um deputado federal, principalmente o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, para que a gente tenha essa oportunidade de levar as demandas dos produtores rurais da nossa região, principalmente, para que eles tenham mais essa plataforma para defender”, afirmou um representante, destacando a necessidade de valorização da produção agropecuária, não apenas críticas. O objetivo é fortalecer a defesa do setor tanto no Instituto Pensar Agro quanto na FPA e no Parlamento.

Durante o encontro, Lupion participou de discussões sobre situações específicas que têm gerado insegurança na região, com destaque para a falta de resolução em relação às áreas ocupadas por indígenas em Guaíra e Terra Roxa.
Insegurança Fundiária e Críticas à Itaipu

A questão fundiária na região foi apontada como um foco de grande preocupação. Além das ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal, o deputado mencionou o acordo de compra de terras pela Itaipu Binacional, visando o ressarcimento aos povos originários prejudicados pela construção da usina. No entanto, o processo tem gerado insegurança.

Lupion fez duras críticas à situação, citando “especulação imobiliária descarada” e a pressão sobre os produtores: “Aqui na região oeste do estado está acontecendo uma coisa muito ruim, muito difícil. A Itaipu está se aproveitando desse momento, especulação imobiliária descarada, mais forte possível, produtores que estão invadidos ficam na opção ou de continuar invadidos ou de vender a sua área.”

O deputado ressaltou que a lei exige o pagamento de terra nua e benfeitorias a um preço justo, com a concordância do proprietário, o que, segundo ele, não está ocorrendo.
O presidente da FPA enfatizou o compromisso da Frente com a defesa do direito de propriedade, fazendo valer a Constituição, e reiterou a posição de que demarcações não solicitadas até a promulgação da Constituição Federal em 1988/1989 não deveriam ser refeitas.

Crise do Leite: Importação e Dumping

Outro tema de destaque foi a crise na cadeia produtiva do leite, com produtores sofrendo a concorrência de produtos importados do Mercosul, que resultam na queda do preço do leite brasileiro.

“De janeiro a setembro, nós estamos falando em 1,6 bilhões de litros de leite estrangeiros importados que entraram no Brasil, isso é um número assustador que derruba o preço para o produtor brasileiro”, lamentou Lupion. Ele responsabilizou a indústria que tem optado por comprar o produto mais barato do exterior, “quebrando literalmente toda a cadeia produtiva de leite do país.”

A Frente Parlamentar da Agropecuária tem trabalhado intensamente para o reconhecimento do dumping e o uso da lei anti-dumping para frear as importações. Contudo, Lupion manifestou surpresa e preocupação com a postura da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério da Indústria e Comércio, presidido por Geraldo Alckmin, que, “pela primeira vez em 20 anos, não reconhece o dumping.”

O deputado destacou que há uma preocupação do governo federal com as relações Brasil-Argentina e o acordo do Mercosul, temendo que a aplicação de medidas anti-dumping no Uruguai e Argentina possa afetar a importação e exportação de eletrodomésticos e veículos. “Mas isso é extremamente necessário para que o produtor não deixe a atividade e possa ter o mínimo de rentabilidade”, concluiu Lupion.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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