Lupion denuncia “especulação imobiliária descarada” em terras indígenas e critica Camex por não reconhecer dumping no leite

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, esteve reunido com representantes do setor no Sindicato Rural da região para discutir uma série de demandas e preocupações dos produtores rurais do Oeste do Paraná. A visita, segundo as lideranças locais, é vista como uma oportunidade crucial para dar visibilidade às questões do agronegócio regional e buscar apoio no Congresso Nacional.
“Nós temos que aproveitar as oportunidades, quando a visita de um deputado federal, principalmente o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, para que a gente tenha essa oportunidade de levar as demandas dos produtores rurais da nossa região, principalmente, para que eles tenham mais essa plataforma para defender”, afirmou um representante, destacando a necessidade de valorização da produção agropecuária, não apenas críticas. O objetivo é fortalecer a defesa do setor tanto no Instituto Pensar Agro quanto na FPA e no Parlamento.
Durante o encontro, Lupion participou de discussões sobre situações específicas que têm gerado insegurança na região, com destaque para a falta de resolução em relação às áreas ocupadas por indígenas em Guaíra e Terra Roxa.
Insegurança Fundiária e Críticas à Itaipu
A questão fundiária na região foi apontada como um foco de grande preocupação. Além das ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal, o deputado mencionou o acordo de compra de terras pela Itaipu Binacional, visando o ressarcimento aos povos originários prejudicados pela construção da usina. No entanto, o processo tem gerado insegurança.
Lupion fez duras críticas à situação, citando “especulação imobiliária descarada” e a pressão sobre os produtores: “Aqui na região oeste do estado está acontecendo uma coisa muito ruim, muito difícil. A Itaipu está se aproveitando desse momento, especulação imobiliária descarada, mais forte possível, produtores que estão invadidos ficam na opção ou de continuar invadidos ou de vender a sua área.”
O deputado ressaltou que a lei exige o pagamento de terra nua e benfeitorias a um preço justo, com a concordância do proprietário, o que, segundo ele, não está ocorrendo.
O presidente da FPA enfatizou o compromisso da Frente com a defesa do direito de propriedade, fazendo valer a Constituição, e reiterou a posição de que demarcações não solicitadas até a promulgação da Constituição Federal em 1988/1989 não deveriam ser refeitas.
Crise do Leite: Importação e Dumping
Outro tema de destaque foi a crise na cadeia produtiva do leite, com produtores sofrendo a concorrência de produtos importados do Mercosul, que resultam na queda do preço do leite brasileiro.
“De janeiro a setembro, nós estamos falando em 1,6 bilhões de litros de leite estrangeiros importados que entraram no Brasil, isso é um número assustador que derruba o preço para o produtor brasileiro”, lamentou Lupion. Ele responsabilizou a indústria que tem optado por comprar o produto mais barato do exterior, “quebrando literalmente toda a cadeia produtiva de leite do país.”
A Frente Parlamentar da Agropecuária tem trabalhado intensamente para o reconhecimento do dumping e o uso da lei anti-dumping para frear as importações. Contudo, Lupion manifestou surpresa e preocupação com a postura da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligada ao Ministério da Indústria e Comércio, presidido por Geraldo Alckmin, que, “pela primeira vez em 20 anos, não reconhece o dumping.”
O deputado destacou que há uma preocupação do governo federal com as relações Brasil-Argentina e o acordo do Mercosul, temendo que a aplicação de medidas anti-dumping no Uruguai e Argentina possa afetar a importação e exportação de eletrodomésticos e veículos. “Mas isso é extremamente necessário para que o produtor não deixe a atividade e possa ter o mínimo de rentabilidade”, concluiu Lupion.











