“Estamos fugindo da contratação”: o que tem levado o produtor a evitar Seguro Rural?

O Seguro Rural encerrou 2025 em seu pior desempenho da última década: apenas 3,3 milhões de hectares segurados, frente a quase 98 milhões de hectares cultivados. O cenário reflete a desistência de muitos produtores, que relatam não ver vantagens na contratação diante dos custos elevados e da falta de apoio governamental consistente.
Custos elevados e falhas na subvenção
Produtores como Aluir Dalposso destacam que o seguro pode consumir até 17% do custo da lavoura, tornando-se pesado para a viabilidade econômica. O problema foi agravado pela execução parcial do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR): apenas R$ 581 milhões dos R$ 1,06 bilhão previstos foram liberados. Isso fez com que seguradoras repassassem ao produtor parcelas que deveriam ser subsidiadas pelo governo, aumentando a desconfiança e reduzindo a adesão.
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Mudanças no Proagro e burocracia
As alterações no Proagro retiraram mais de 116 mil agricultores do programa, deixando pequenos produtores sem alternativas acessíveis. Além disso, a burocracia no acionamento do seguro tem gerado prejuízos adicionais. Peritos deslocados de regiões distantes atrasam a vistoria das lavouras, o que pode comprometer a colheita e até afetar a safra seguinte, já que sementes rebrotam e exigem gastos extras para controle.
Renegociação de dívidas
A falta de cobertura adequada leva muitos produtores à renegociação de dívidas, prática que Dalposso considera um sintoma da fragilidade do sistema. Ele ressalta que o seguro deveria evitar esse ciclo de endividamento, cobrindo os custos da lavoura em caso de perdas climáticas. Sem essa proteção, agricultores enfrentam insolvência após safras consecutivas sem produção, acumulando dívidas difíceis de administrar.
Projeto de Lei 2.951/2024
O Senado aprovou o Projeto de Lei 2.951/2024, que busca modernizar e fortalecer o Seguro Rural. A proposta prevê incentivos como juros menores, financiamento do prêmio e acesso preferencial ao crédito para quem contratar seguro. Também estabelece a obrigatoriedade da execução integral dos recursos do PSR, prazos máximos para liquidação de sinistros e inclusão do seguro como garantia em operações de crédito rural. A medida aguarda sanção presidencial e é vista como um passo importante para recuperar a confiança dos produtores.
(Com Agência FPA)











