Chuvas irregulares: Setembro desafiou agricultores

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

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O mês de setembro de 2025 trouxe um cenário climático marcado por contrastes no Paraná. A distribuição das chuvas foi irregular e com forte variabilidade espacial, afetando diretamente o setor agropecuário em diferentes regiões do estado.

Enquanto o centro-sul e o sul do Paraná registraram volumes acima da média climatológica — com destaque para Palmas (184 mm) e Entre Rios (179 mm) —, o Norte do estado enfrentou um dos períodos mais secos dos últimos meses. Em Cambará, por exemplo, choveu apenas 11 mm durante todo o mês, configurando um dos menores índices da série analisada.

Além da escassez de chuva em algumas regiões, o Paraná também registrou geadas entre os dias 10 e 23 de setembro, especialmente em áreas pontuais do sul do estado. As geadas tiveram impacto localizado nas lavouras de trigo, atingindo fases sensíveis como a floração e frutificação. Apesar disso, os danos foram considerados isolados.

 


Previsão para outubro: chuva desigual e temperaturas elevadas

Para o mês de outubro, a previsão aponta chuvas próximas à média histórica, mas novamente com distribuição desigual. As regiões Oeste e Sudoeste devem concentrar os maiores volumes devido à passagem de frentes frias nos primeiros dias do mês. Já o Norte e Noroeste seguem em alerta, com expectativa de baixos índices pluviométricos, agravando o déficit hídrico acumulado em setembro.

A tendência para as primeiras semanas de outubro (29/09 a 13/10) é de chuvas abaixo da média na maior parte do estado, com normalização gradual a partir de 20 de outubro. Entre os dias 03 e 10 de novembro, o cenário deve se estabilizar, com chuvas dentro da normalidade, favorecendo o avanço das atividades no campo.


Safras em andamento: milho com superprodução e soja em fase inicial

Apesar dos desafios climáticos, o milho 2ª safra (2024/2025) teve desempenho positivo no estado. Com a colheita praticamente concluída, a produção chegou a 17,36 milhões de toneladas — um crescimento de 33% em relação à safra passada — e rendimento médio de 6.200 kg/ha, segundo dados do DERAL.

Já o trigo está com 53% da área colhida, alcançando 2,68 milhões de toneladas e produtividade média de 3.258 kg/ha. Cerca de 91% das lavouras estão em boas condições, com 51% em fase de maturação e 37% em frutificação.

O plantio do milho 1ª safra (2025/2026) já atinge 77% da área prevista, com produção estimada em 3,4 milhões de toneladas. A produtividade projetada (10.207 kg/ha) é levemente inferior à da safra anterior.

A soja 1ª safra (2025/2026) também já começou a ser plantada, cobrindo até agora 26% da área estimada. A expectativa é atingir 5,77 milhões de hectares cultivados, com produção de 21,94 milhões de toneladas — cerca de 4% a mais que a safra anterior — e rendimento médio de 3.802 kg/ha.


La Niña no horizonte: clima pode mudar nos próximos meses

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa em Clima (IRI), há uma probabilidade de 55% a 60% de formação do fenômeno La Niña entre o fim da primavera e o início do verão. Caso se confirme, o padrão climático pode trazer novas mudanças nas chuvas e temperaturas, exigindo atenção redobrada de agricultores e gestores do setor.

(Fonte: Simepar)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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