Reunião debate a crise da cadeia do leite

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Orlando Kissner/Alep

Criar uma barreira para evitar que o leite em pó importado concorra com o leite in natura produzido no Paraná após ser reconstituído. Esse é o objetivo do projeto de lei apresentado pelo deputado Luis Corti (PSB) aos produtores rurais que integram a cadeia leiteira, durante a reunião que discutiu a crise do preço do leite no estado, realizada nesta terça-feira (23), no Plenarinho da Assembleia Legislativa.

O encontro reuniu dezenas de produtores rurais, além de deputados, prefeitos e vereadores de diversas regiões do Paraná. Ao longo das discussões, foram apresentadas as principais dificuldades enfrentadas pelo setor, especialmente em relação à concorrência com os produtos vindos do Mercosul. O grande problema apontado foi a queda do valor pago aos produtores, o que quase inviabiliza a atividade, principalmente nas pequenas propriedades da agricultura familiar.

Onda de tempestades trouxe pelo Brasil e países vizinhos

“O leite, historicamente, na época da entressafra de inverno, tem um aumento de preço. No Paraná, no entanto, ocorre o inverso: há redução no valor pago ao produtor. A principal causa dessa queda é, seguramente, a entrada de forma descontrolada do leite em pó importado no estado. Diante disso, nosso projeto de lei proíbe a reidratação do leite importado. Depois de aprovado, o leite em pó que entrar no Paraná não poderá mais ser transformado em leite líquido. E, não sendo reconstituído, não concorrerá com a produção local. Como consequência, não haverá queda no preço do leite”, explica Corti.

O deputado destacou ainda que o projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronto para ser analisado pela Comissão de Agricultura da Assembleia. “Estamos aguardando esse passo para depois ser pautado na Comissão de Indústria e Comércio e, em seguida, ir ao plenário. Seguramente, esse projeto de lei é o instrumento que vai coibir a importação descontrolada do leite em pó no Paraná. E, depois do Paraná, queremos levar essa pauta para todo o Brasil”, complementa.

O presidente da Assembleia, deputado Alexandre Curi (PSD), ressaltou a importância da cadeia leiteira para a economia estadual e afirmou que a Casa de Leis está sempre pronta para defender os produtores.

“Em nome dos 54 deputados estaduais, reafirmo nosso compromisso com os produtores de leite do Paraná, que tem a segunda maior cadeia leiteira do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais. Vocês ajudam este estado a crescer, a se desenvolver e a alcançar o maior crescimento econômico do país. Nossa cadeia de leite é muito forte, e esta Assembleia sempre esteve ao lado de vocês, como quando houve a audiência pública para denunciar a entrada do leite da Argentina e do Uruguai a preços mais baixos que os praticados aqui. Naquele momento, o Governo do Estado enviou uma mensagem que aprovamos em 48 horas, aumentando o imposto sobre o leite importado. Da mesma forma, estaremos juntos agora, pressionando o Governo Federal e defendendo as pautas apresentadas por vocês”, afirmou.

Compra direta

A deputada Luciana Rafagnin (PT), líder do Bloco Parlamentar da Agricultura Familiar, defendeu que o Governo do Paraná amplie a compra direta de leite dos produtores para abastecer creches, escolas e hospitais, como alternativa para valorizar a cadeia leiteira.

“Em 2003, quando o setor também enfrentava uma crise grave, tivemos a CPI do Leite para identificar os maiores problemas. Era um cenário bastante parecido com o de agora: no mercado o preço seguia alto, mas para o produtor caía cada vez mais. Precisamos unir forças para encontrar soluções que deem segurança aos produtores, garantindo a venda do produto por um preço justo. Não podemos aceitar que o agricultor trabalhe no prejuízo ou seja forçado a abandonar a produção. Uma das alternativas é ampliar a compra de leite para abastecer creches, escolas e hospitais públicos, que podem consumir ainda mais. Além disso, temos condições de cobrar do Governo Federal medidas adicionais”, afirmou a deputada, que sugeriu a criação de uma comissão para debater a crise do setor e propor soluções efetivas.

Gravidade

O deputado Artagão Júnior destacou a gravidade do momento vivido pelos produtores paranaenses, que enfrentam dificuldades em razão da queda do preço pago pelo litro do leite e da concorrência com o produto importado.

“Temos um movimento legítimo de pedido de ajuda, de socorro e de atenção de uma categoria que não tem sido respeitada. Quando falamos de mais da metade do consumo de leite no Paraná vindo de importação, estamos falando do que é contabilizado oficialmente, sem contar o que entra clandestinamente e que impacta diretamente a competitividade do nosso produtor”, afirmou o deputado.

O parlamentar lembrou que o Paraná produziu cerca de 4,6 bilhões de litros de leite no ano passado, consolidando-se como o segundo maior produtor do país, mas ressaltou que o setor tem sido prejudicado pelas importações.

Artagão Júnior reforçou seu apoio aos produtores e defendeu a necessidade de ações do governo estadual para reduzir os impactos da crise.

“Nós, deputados que aqui estamos, seremos a voz e o grito de cada um dos senhores. Se pudermos ampliar esse movimento e fazê-lo ecoar cada vez mais, o faremos junto ao secretário da Agricultura, ao secretário da Fazenda, ao governador e a quem for necessário”, completou.

(Com Alep)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias