Mamona é vilã no campo e nos armazéns

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Faep

A presença da mamona (Ricinus communis) em áreas agrícolas vem preocupando os produtores rurais do Brasil. Apesar de suas diversas aplicações industriais, como a extração do óleo de rícino, a mamona se comporta como uma planta daninha em várias culturas, devido à sua capacidade de se estabelecer em diferentes ambientes e competir com outras espécies vegetais. A rápida disseminação e o potencial tóxico das sementes tornam indesejada a presença da planta no campo, causando impactos econômicos significativos.

“A mamona, embora tenha utilidades industriais, representa um sério risco econômico para as lavouras e para a comercialização de grãos. Precisamos reforçar a orientação técnica para evitar que essa planta cause prejuízos ainda maiores aos nossos agricultores”, Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP. 

Capturada onça que circulava perto de creche

No Paraná, o problema costuma estar associado ao uso da torta de mamona como adubo orgânico, prática bastante comum no passado, especialmente em antigos cafezais das regiões Norte e Norte Pioneiro. Essa torta carrega sementes tóxicas que acabam germinando após serem incorporadas ao solo, espalhando a planta invasora e provocando infestações.

“A mamona rouba produtividade, interfere na qualidade da matéria-prima e, o mais grave, atrapalha a mecanização na colheita. O problema vai além da competição por água, luz e nutrientes. A planta se transforma em arbusto, tornando-se um obstáculo físico para as colhedoras, o que dificulta tanto os tratos culturais quanto a colheita”, explica Edison Baldan Junior, engenheiro agrônomo e consultor no manejo de plantas daninhas. “Ela pode até quebrar o para-brisa da máquina, furar pneus e danificar o sistema de alimentação das colhedoras, como mangueiras e placas de corte”, detalha.

Nas lavouras, a mamona também compete com as plantas cultivadas, prejudicando o desenvolvimento das culturas agrícolas e reduzindo a produtividade. Além disso, se sementes de mamona forem colhidas junto aos grãos, podem contaminar a carga.

Semente invasora pode gerar custo extra no embarque

Quando sementes de mamona aparecem misturadas às cargas de grãos durante a classificação, o produtor é obrigado a fazer o rebeneficiamento da carga, gerando custos extras. Consideradas tóxicas, essas sementes não têm qualquer nível de tolerância previsto nas normas de classificação.

“Caso sejam encontradas durante a classificação, toda a carga é devolvida para rebeneficiamento. Às vezes, as empresas responsáveis pelo recebimento fazem esse processo, mas repassam o custo ao produtor. Temos relatos de cargas que chegaram
ao Porto de Paranaguá para exportação e foram recusadas. Assim, o produto retorna para o beneficiamento, gerando ainda despesas com o transporte de volta”, explica Ivonete Rasêra, engenheira agrônoma, classificadora e responsável pelo treinamento dos instrutores dos cursos de classificação de grãos do Sistema FAEP.

A especialista destaca a importância do tema nas capacitações. “Levamos sementes e bagas de mamona para que os participantes possam reconhecê-las. A orientação é que, ao coletar amostras no caminhão, o profissional esteja atento para identificar a presença dessas sementes e, se ocorrer, comunicar ao dono do produto para que seja feito o beneficiamento e retirada da mamona antes do armazenamento”, afirma.

Ivonete também recomenda atenção redobrada às bordaduras das lavouras, já que, durante o amadurecimento dos pés de mamona, as sementes podem se espalhar e cair em caminhões carregados com grãos. No caso do milho, por exemplo, a semente da mamona tem tamanho semelhante ao do cereal, o que facilita sua passagem pelas peneiras e aumenta o risco de contaminação.

Os cursos de classificação de grãos do Sistema FAEP abrangem culturas como soja, milho, feijão e trigo, preparando profissionais para identificar e manejar adequadamente essa e outras contaminações que afetam a qualidade e o valor das cargas. As inscrições são gratuitas e as capacitações possuem certificado.

Controle constante

Segundo Baldan, o combate à mamona exige um trabalho contínuo e o uso de múltiplas estratégias de controle, já que essa planta daninha possui sementes com grande reserva energética e capacidade de germinar em diferentes profundidades do solo. A rotação e consorciação de culturas também ajudam, pois a alternância de espécies no solo quebra o ciclo de germinação da mamona, diminuindo sua incidência.

“Não existe um produto milagroso ou uma única aplicação. É um trabalho contínuo de manejo. É preciso fazer o mapeamento da área, aplicar herbicidas pré e pós-emergentes e, depois, reaplicações pontuais, geralmente após 180 dias. Do contrário, ela volta”, explica o engenheiro agrônomo. “O maior problema é a falta de conhecimento sobre produtos mais específicos e a importância da reaplicação”, alerta.

Recentemente, o Sistema FAEP lançou o curso “Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD)”, que ensina técnicas de monitoramento e práticas de campo para realizar o manejo das plantas daninhas de maneira racional e eficaz. Embora não seja específico para o problema da mamona, a capacitação aborda espécies resistentes ou de difícil controle, além das principais estratégias de manejo, incluindo métodos preventivos, culturais, mecânicos, biológicos e químicos.

“Compreender as estratégias de manejo integrado é essencial para lidar com qualquer planta daninha de forma planejada e eficaz, evitando prejuízos econômicos, reduzindo impactos ambientais e garantindo o uso mais eficiente dos recursos disponíveis”, Ana Paula Kowalski, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. 

O curso (MIPD) e os outros mais de 200 que fazem parte do portfólio do Sistema FAEP são gratuitos e estão à disposição dos produtores e trabalhadores rurais. Para mais informações, acesse a seção “Cursos” do site do Sistema FAEP.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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