Preço em queda do milho deixa produtores indecisos e pode ampliar área de soja

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Aires Mariga/Epagri

A forte queda no preço do milho no Brasil, resultado da supersafra colhida em 2024, deve influenciar diretamente a decisão de plantio para a safra de verão 2025/26. Com a saca negociada hoje a cerca de R$ 62, produtores se dividem entre manter o cultivo ou migrar parte da área para a soja, que se mostra mais atrativa economicamente.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de milho da segunda safra (safrinha) chegou a 109,5 milhões de toneladas, patamar recorde. Esse volume derrubou os preços: em março, a saca era vendida a R$ 89; na parcial de agosto, recuou quase 30%.

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Em Santa Catarina, terceiro maior produtor do milho de verão, o cenário é de otimismo. Apesar de uma redução de 9% na área neste ciclo, a produtividade foi recorde, de 9,3 mil quilos por hectare. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) avalia que a área pode crescer até 5% em 2025/26, impulsionada por programas como o Terra Boa, que registrou aumento de 10% na distribuição de sementes em julho.

Já em Minas Gerais, segundo maior produtor de milho da primeira safra, o tom é de cautela. Com a saca cotada a R$ 62 no mercado físico e contratos futuros a R$ 57, muitos agricultores estudam migrar para a soja.

Diante de tudo isso, as consultorias do setor projetam que a área de milho na safra de verão 2025/26 será de 4 milhões de hectares, crescimento de 4% sobre o ciclo atual. O número, no entanto, depende da reação das cotações. A soja pode avançar sobre parte das áreas, já que oferece maior liquidez e preços mais estáveis.

No mercado interno, a média nacional do milho está em R$ 62,01 por saca, com variações regionais. Campinas (SP) registra R$ 66, Rio Verde (GO) R$ 55 e Erechim (RS) R$ 70. O avanço da colheita em regiões atrasadas, como São Paulo, deve aumentar a oferta. Ainda assim, produtores têm segurado vendas, apostando em melhor remuneração com a exportação.

No front externo, os Estados Unidos confirmaram alta produtividade no Crop Tour da Pro Farmer, sustentando os preços na Bolsa de Chicago (CBOT). O Brasil, por sua vez, exportou 3,1 milhões de toneladas de milho nos primeiros 11 dias úteis de agosto, com receita de US$ 614 milhões — cerca de R$ 3,35 bilhões ao câmbio de R$ 5,45. O preço médio foi de US$ 205 por tonelada (R$ 1.117).

Analistas destacam que a decisão do produtor brasileiro neste verão terá impacto direto na estratégia nacional de abastecimento. Se a soja avançar, o milho ficará cada vez mais concentrado na safrinha, aumentando o risco climático e a volatilidade nos preços internos.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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