Pesquisa estuda uso de amêndoa na produção de bebidas vegetais fermentadas e pastas cremosas

Fernanda Toigo

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Foto por: Arquivo/Pesquisador

Um projeto de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), investiga o potencial da amêndoa de castanha de caju-do-cerrado na formulação de novos alimentos vegetais.

Segundo o coordenador do projeto, doutorando Cézar da Silva Guerra, do Programa de Pós-Graduação em Agricultura Tropical da UFMT, a pesquisa busca aproveitar o extrato da amêndoa na elaboração de bebidas fermentadas e pastas vegetais do tipo spread. A castanha é o fruto seco; já a amêndoa é a parte comestível.

“Os resultados esperados incluem a comprovação da viabilidade técnica e econômica dos produtos, a publicação de artigos científicos e boletins técnicos, e a contribuição para o fortalecimento da cadeia produtiva da castanha de caju”, ressalta o pesquisador.

A castanha, que é o fruto verdadeiro do caju, é aproveitada de forma industrial e gera mais renda do que a polpa da fruta, que é usada para a produção de sucos, doces, polpa congelada ou cajuína (bebida não alcoólica, tipicamente nordestina, feita com o suco clarificado do caju).

Cézar explica que a pesquisa se baseia no uso de espécies do gênero Anacardium, conhecido como cajueiro, nativas do Brasil e também muito comuns na Região Centro-Oeste.

“Embora o Anacardium occidentale, tradicionalmente cultivado no Nordeste, seja amplamente explorado e comercializado, o cajueiro presente no Cerrado mato-grossense permanece pouco aproveitado do ponto de vista comercial. Além disso, as informações técnicas relacionadas à propagação, manejo e aproveitamento de seus frutos ainda são escassas e pouco difundidas no Estado”, diz o pesquisador.

Foto: Assessoria Governo MT

Para a preparação da bebida, a amêndoa do caju-do-cerrado é triturada, filtrada, passada por um tratamento térmico e fermentada com cepas de probióticos. Já a o método de preparo de pastas é triturado a seco e transformadas em pasta om a adição de água, óleo de coco extravirgem, açúcar, lecitina de soja e cacau 50%. Esses ingredientes favoreceram a emulsificação e a estabilidade do produto, contribuindo para melhor sabor, textura e tempo de prateleira.

A castanha de caju é um dos principais produtos de exportação do Brasil, que já foi líder mundial, mas atualmente está atrás do Vietnã e da Índia. O Nordeste produz 99% da produção nacional, principalmente os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Em Mato Grosso, o município de Terra Nova do Norte é o único do estado a contar com produção em escala comercial, com 89 toneladas colhidas em 2021, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Estudos indicam que cerca de 30% das amêndoas são quebradas durante o beneficiamento da castanha, o que compromete seu valor de mercado. “A pesquisa busca ampliar o aproveitamento desse subproduto, que é fonte de proteínas, lipídios e aminoácidos essenciais, promovendo alternativas de processamento com potencial de geração de renda e inserção no mercado de alimentos vegetais”, destaca Cézar.

A pesquisa faz parte do Edital Fapemat nº 004/2023 – Doutorado com Produto Tecnológico, financiado pelo Governo do Estado por meio da Fapemat.

(Por Assessoria Governo MT)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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