Ibama impede tentativa de tráfico internacional de 400 abelhas

Fernanda Toigo

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O envio ilegal das abelhas tinha como destino a China - Foto: Ibama/SP

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) impediu, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), a exportação ilegal de uma colônia de abelhas nativas sem ferrão, da espécie Melipona quadrifasciata anthidioides, conhecida popularmente como mandaçaia. A ação foi realizada com apoio da Alfândega da Receita Federal do Brasil (ALF-VCP/RFB).

A colmeia estava oculta dentro de uma remessa expressa com destino a Hong Kong (China), postada por uma brasileira, na capital paulista. Para tentar burlar a fiscalização ambiental e aduaneira, o remetente declarou o conteúdo como sendo brinquedos. Durante a triagem, equipamentos de detecção de imagem (raio X) identificaram anomalias no volume e acionaram a equipe de fiscalização do Ibama.

Colmeia com 400 abelhas estava em caixa com brinquedos de pelúcia – Fotos: Ibama/SP

Ao abrir a encomenda, os fiscais constataram que, além de pelúcias, havia uma caixa de madeira contendo uma colônia completa de mandaçaias. A inspeção constatou que os espécimes estavam vivos, saudáveis e em boas condições.

Especialistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Araras (SP), e do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (IB-Unesp), campus Rio Claro (SP), contribuíram na identificação da espécie e orientaram quanto ao manejo adequado. A colônia, com cerca de 400 indivíduos, foi encaminhada para manutenção e cuidados técnicos no laboratório da UFSCar.

Responsabilização
O remetente responderá a processo administrativo sancionador no âmbito do Ibama e poderá ser multado em até R$ 200 mil, conforme prevê a legislação ambiental, pela tentativa de exportação de espécimes silvestres sem autorização.

O caso também será encaminhado ao Ministério Público Federal para apuração de possível crime ambiental e adoção das medidas cabíveis na esfera criminal.

Riqueza ameaçada

O Brasil abriga mais de duas mil espécies de abelhas nativas, sendo o país com a maior diversidade de espécies de abelhas sem ferrão do mundo, pertencentes à tribo Meliponini. Cerca de 260 dessas espécies são conhecidas e desempenham papel essencial na polinização da vegetação nativa e em diversas culturas agrícolas de relevância econômica, como café, soja, tomate, algodão, açaí, girassol, entre outras.

Além da importância ecológica, muitas dessas espécies também são manejadas em sistemas de criação racional para produção de mel, própolis e outros produtos. O tráfico ilegal dessas abelhas compromete os esforços de conservação e representa risco à biodiversidade e à segurança sanitária.

(Por Assessoria de Comunicação Social do Ibama)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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