Estado avança na redução de carbono com ações e incentivos aos produtores rurais

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Ana Palma/Sistema Famasul

Mato Grosso do Sul assumiu a meta climática de se tornar o estado carbono neutro até 2030. O desafio, lançado pelo governo estadual, se transforma em oportunidades concretas no campo, onde o agronegócio sul-mato-grossense já é referência em práticas de baixa emissão e tem papel estratégico na transição para uma economia mais sustentável.

De acordo com a consultora técnica da Famasul, Ana Beatriz, a agricultura de baixo carbono já é uma realidade em expansão, ao integrar conservação ambiental, eficiência produtiva, viabilidade econômica e responsabilidade social.

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Mato Grosso do Sul tem um portfólio consolidado de práticas em agricultura de baixo carbono e é referência nacional no tema. O estado lidera em área com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, com mais de 3 milhões de hectares. “Também se destacam ações como a recuperação de pastagens degradadas, florestas plantadas e o uso crescente de tecnologias sustentáveis, como bioinsumos, fixação biológica de nitrogênio e sistemas irrigados”, explica Ana Beatriz

Além da adoção dessas tecnologias produtivas, a área destinada à preservação da vegetação nativa dentro das propriedades privadas no estado, equivale a cerca de 35% do território de Mato Grosso do Sul, segundo dados do Cadastro Ambiental Rural — um indicativo claro do compromisso do setor com a sustentabilidade.

No panorama da preservação ambiental, o Pantanal se destaca por manter cerca de 87% de seu bioma em estado natural, apresentando a menor perda relativa de cobertura vegetal entre todos os biomas brasileiros no período de 2000 a 2018. Iniciativas como o PSA Pantanal, por meio do subprograma “Conservação e Valorização da Biodiversidade”, remuneram produtores pela vegetação nativa excedente em suas propriedades, valorizando a conservação e reconhecendo o papel estratégico da produção sustentável para o cumprimento das metas de carbono neutro estabelecidas pelo Estado.

A adesão do produtor rural sul-mato-grossense às práticas sustentáveis já é uma realidade e tem atingido outros patamares, impulsionada não apenas por exigências legais, mas por oportunidades de mercado, acesso ao crédito, eficiência produtiva e capacitação técnica.

“Mais do que uma questão econômica, a agricultura de baixo carbono é um compromisso com a conservação ambiental, que também envolve inclusão social e rentabilidade”, reforça a consultora da Famasul.

O protagonismo da agropecuária na mitigação climática vai além do plano estadual. Durante a COP28, a agricultura foi oficialmente reconhecida como parte da solução para as mudanças climáticas e considerada um dos temas mais relevantes da Declaração de Sistemas Alimentares. Já na COP29, foi formalizado um acordo para a criação de um mercado mundial de créditos de carbono.

Esses avanços abrem novas oportunidades econômicas para o produtor brasileiro e Mato Grosso do Sul já está se preparando para esse cenário, com políticas públicas alinhadas e iniciativas planejadas a longo prazo.

O Sistema Famasul tem atuado diretamente para apoiar o produtor nesse processo de transição. Em parceria com a Biosul, a campanha “Movido pelo Agro – Etanol” incentiva o uso do biocombustível como alternativa de menor emissão. Na primeira edição, foram abastecidos mais de 91 mil litros de etanol, evitando a emissão de mais de 90 toneladas de CO₂.

Outra frente importante é o projeto “Carbono ATeG”, iniciado pelo Senar/MS, que começou a mensurar as emissões de gases de efeito estufa em propriedades rurais. A primeira etapa incluiu 30 propriedades, e os resultados devem embasar ações futuras mais assertivas e personalizadas.

Com metas claras, políticas públicas robustas e o engajamento crescente dos produtores rurais, Mato Grosso do Sul está se posicionando como referência nacional no avanço rumo ao carbono neutro. O agro já está entregando resultados e tem grande potencial para continuar liderando esse processo com base em ciência, inovação e responsabilidade.

(Com CNA)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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