Doce da imigração alemã é resgatado para gerar renda e preservar a memória

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Emater/RS

O Mürbeteig, doce típico da imigração alemã, foi destaque na programação do Congresso de Gastronomia e Sociobiodiversidade, que se realiza de 14 a 16 de agosto em Porto Alegre. A sobremesa tradicional da região de Agudo (RS), foi apresentada como patrimônio cultural e potencial turístico nesta sexta-feira (15/08) pela Emater/RS-Ascar, dentro do eixo temático “Patrimônio Alimentar, Comensalidade, Arte e Afeto”.

O trabalho intitulado “Mürbeteig, um sabor da imigração alemã em Agudo, RS” é de responsabilidade das extensionistas rurais Cláudia Bernardini e Andriéle Wansing. “Queremos dar visibilidade a essa tradição e incentivar mais pessoas a comercializarem o doce, como já acontece com a cuca”, afirmou Andriéle.

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Tradição e memória

Com base em farinha, manteiga, raspas de limão, açúcar e gemas, o Mürbeteig tem origem nas famílias pomeranas que chegaram em 1855, estabelecendo-se em Cerro Chato, atual município de Agudo. A preparação consiste em uma massa assada que serve de base para recheios variados, como creme de coalhada, morango, nata com merengue ou com nêspera, fruta comum na região.

Segundo relatos de moradores, o doce era presença constante em comemorações familiares antes da popularização das tortas. Ao longo das gerações, a receita foi mantida por algumas famílias como símbolo da herança cultural germânica.

Oficinas e valorização turística

Desde 2023, a equipe da Emater/RS-Ascar de Agudo vem promovendo oficinas de preparação do Mürbeteig com grupos de trabalhadoras rurais, feirantes e agroindústrias locais, sempre utilizando ingredientes regionais para manter a originalidade da receita.

A iniciativa resultou na criação do Festival do Mürbeteig, realizado em 2023 junto à Feira das Cores e Sabores. O evento impulsionou a visibilidade do doce, que passou a ser solicitado por outros municípios da região, como Cerro Branco, Formigueiro, Júlio de Castilhos e Passa Sete, onde mais de 100 mulheres já foram capacitadas na produção.

Além do fortalecimento da identidade cultural, o resgate do Mürbeteig também vem ganhando espaço como produto turístico. Hoje, o doce é comercializado por feirantes, servido em cafés rurais e integra os roteiros turísticos de Agudo, como a Volksfest in Agudo e a Festa do Moranguinho e da Cuca. Inicialmente vendido por apenas duas padarias, o doce agora circula em diversos pontos do município.

Cultura que gera renda

Para a Emater/RS-Ascar, o resgate do Mürbeteig demonstra como a gastronomia artesanal e a herança dos imigrantes alemães continuam a impactar positivamente a segurança alimentar, o turismo rural e a geração de renda nas comunidades. A proposta é que o doce seja cada vez mais valorizado como expressão do patrimônio imaterial da região.

“Essa preparação carrega histórias e memórias que a Extensão Rural ajuda a preservar junto às famílias. Ao mesmo tempo, movimenta a gastronomia e turismo e agrega renda para as famílias”, conclui Andriéle.

(Com Emater/RS-Ascar – Regional de Santa Maria)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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