R$ 50 milhões: Agricultores ficam no prejuízo após desativação de cerealista

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Artur Vítor

Uma crise de grandes proporções abala o setor agrícola no município de Campo Bonito, no Paraná. Agricultores denunciam um suposto golpe envolvendo a cerealista Fruet, que encerrou suas atividades de forma repentina sem repassar os valores devidos aos produtores. Até o momento, a Polícia Civil já contabiliza 46 boletins de ocorrência, mas estima-se que mais de 200 pessoas tenham sido lesadas, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 50 milhões.

De acordo com a delegada da Polícia Civil de Guaraniaçu, Raiza Bedim, os relatos apontam para um crime de estelionato envolvendo a empresa. “As vítimas nos relataram que depositavam grãos de diversos tipos junto a esta empresa e, de forma repentina, ela encerrou suas atividades sem realizar o pagamento devido. O prejuízo apurado até o presente momento ultrapassa R$ 12 milhões e aumenta a cada novo boletim de ocorrência registrado”, afirmou Bedim.

Ainda segundo a delegada, há indícios de que os grãos foram revendidos para uma grande cooperativa da região, mas os valores não teriam sido repassados aos produtores. A Polícia Civil já instaurou procedimento para apurar a autoria e a responsabilização criminal dos envolvidos. “Pedimos que eventuais vítimas que ainda não registraram boletim de ocorrência procurem a delegacia ou realizem o registro online pelo site da Polícia Civil do Paraná”, reforçou a delegada.

Agricultores cobram respostas

Na manhã desta quinta-feira (25), dezenas de produtores rurais se reuniram em frente à cerealista Fruet, na PR-474, em Campo Bonito. Revoltados, eles exigem explicações e medidas concretas. “Estamos no escuro, sem saber se vamos receber. Muitos aqui dependem desse dinheiro pra pagar contas, financiar a próxima safra. É um desespero”, disse um agricultor.

“A única coisa que tenho é isso aí. Estou me sentindo acabado”, disse o produtor rural Arcenio Aramis.

Os rumores sobre a situação começaram no início da semana, quando surgiram informações de que o proprietário da cerealista, Celso Fruet, teria vendido a empresa à cooperativa Copacol e desaparecido sem quitar as dívidas com os agricultores. Na quarta-feira (24), mais de 200 produtores se reuniram com dois representantes da Fruet, que alegaram estar “tentando resolver a situação”, mas sem apresentar soluções concretas ou prazos.

Copacol nega vínculo com dívida

Procurada pela reportagem, a cooperativa Copacol enviou nota esclarecendo que adquiriu apenas o imóvel e os equipamentos da estrutura operacional da Fruet, em Campo Bonito, negando qualquer vínculo com as pendências financeiras da empresa. “A aquisição respeitou rigorosamente todos os princípios previstos na legislação brasileira”, diz o comunicado.

Clima de incerteza

Enquanto as investigações avançam, o clima entre os agricultores é de apreensão.
A Polícia Civil segue investigando o caso e alerta que mais pessoas podem estar envolvidas. Quem tiver informações que ajudem a esclarecer o caso pode entrar em contato com a delegacia de Guaraniaçu.

Cerealista Fruet reconhece dívidas

A Cerealista Fruet, empresa atuante no setor agrícola, se manifestou publicamente nesta quinta-feira (25) por meio de seu advogado, Higor Fagundes, a respeito da atual crise enfrentada e das dívidas junto a produtores rurais. Segundo o representante jurídico, a empresa reconhece a existência dos créditos devidos aos agricultores e reafirma o compromisso de honrar todos os pagamentos.

“Existem créditos, sim. A empresa, em momento algum, se nega à existência e ao pagamento desses créditos”, afirmou Fagundes. Ele explicou que, como parte dos esforços para quitar dívidas, a sede da Cerealista Fruet foi vendida, com o valor integralmente destinado ao pagamento de credores.

A manifestação do advogado ocorre em meio a uma série de protestos e cobranças públicas por parte de agricultores que negociaram grãos com a Fruet e alegam não ter recebido os valores combinados.

Segundo Fagundes, a direção da empresa está empenhada em buscar viabilidade financeira para manter as operações e garantir o pagamento dos compromissos assumidos. “Estamos estudando a viabilidade para manter a empresa funcionando. O intuito do proprietário é honrar seus compromissos e seguir operando”, declarou.

O advogado também explicou que parte das dificuldades enfrentadas pela Fruet está relacionada ao afastamento do proprietário, Celso Fruet, por problemas de saúde ocorridos no ano passado. A ausência do empresário teria contribuído para o agravamento da situação financeira e administrativa da empresa.

Apesar das dificuldades, Fagundes garantiu que a Fruet age com boa-fé e possui patrimônio suficiente para arcar com as dívidas. “A empresa tem patrimônio para honrar cada um dos seus credores. Estamos buscando a colaboração dos credores para que possamos dar sequência às atividades e cumprir com todos”, disse.

A Cerealista Fruet não divulgou prazos para o pagamento dos valores devidos nem detalhes sobre eventuais negociações com os produtores, mas afirmou que mantém diálogo aberto com os credores.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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