R$ 50 milhões: Agricultores ficam no prejuízo após desativação de cerealista

Uma crise de grandes proporções abala o setor agrícola no município de Campo Bonito, no Paraná. Agricultores denunciam um suposto golpe envolvendo a cerealista Fruet, que encerrou suas atividades de forma repentina sem repassar os valores devidos aos produtores. Até o momento, a Polícia Civil já contabiliza 46 boletins de ocorrência, mas estima-se que mais de 200 pessoas tenham sido lesadas, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 50 milhões.
De acordo com a delegada da Polícia Civil de Guaraniaçu, Raiza Bedim, os relatos apontam para um crime de estelionato envolvendo a empresa. “As vítimas nos relataram que depositavam grãos de diversos tipos junto a esta empresa e, de forma repentina, ela encerrou suas atividades sem realizar o pagamento devido. O prejuízo apurado até o presente momento ultrapassa R$ 12 milhões e aumenta a cada novo boletim de ocorrência registrado”, afirmou Bedim.
Ainda segundo a delegada, há indícios de que os grãos foram revendidos para uma grande cooperativa da região, mas os valores não teriam sido repassados aos produtores. A Polícia Civil já instaurou procedimento para apurar a autoria e a responsabilização criminal dos envolvidos. “Pedimos que eventuais vítimas que ainda não registraram boletim de ocorrência procurem a delegacia ou realizem o registro online pelo site da Polícia Civil do Paraná”, reforçou a delegada.
Agricultores cobram respostas
Na manhã desta quinta-feira (25), dezenas de produtores rurais se reuniram em frente à cerealista Fruet, na PR-474, em Campo Bonito. Revoltados, eles exigem explicações e medidas concretas. “Estamos no escuro, sem saber se vamos receber. Muitos aqui dependem desse dinheiro pra pagar contas, financiar a próxima safra. É um desespero”, disse um agricultor.
“A única coisa que tenho é isso aí. Estou me sentindo acabado”, disse o produtor rural Arcenio Aramis.
Os rumores sobre a situação começaram no início da semana, quando surgiram informações de que o proprietário da cerealista, Celso Fruet, teria vendido a empresa à cooperativa Copacol e desaparecido sem quitar as dívidas com os agricultores. Na quarta-feira (24), mais de 200 produtores se reuniram com dois representantes da Fruet, que alegaram estar “tentando resolver a situação”, mas sem apresentar soluções concretas ou prazos.
Copacol nega vínculo com dívida
Procurada pela reportagem, a cooperativa Copacol enviou nota esclarecendo que adquiriu apenas o imóvel e os equipamentos da estrutura operacional da Fruet, em Campo Bonito, negando qualquer vínculo com as pendências financeiras da empresa. “A aquisição respeitou rigorosamente todos os princípios previstos na legislação brasileira”, diz o comunicado.
Clima de incerteza
Enquanto as investigações avançam, o clima entre os agricultores é de apreensão.
A Polícia Civil segue investigando o caso e alerta que mais pessoas podem estar envolvidas. Quem tiver informações que ajudem a esclarecer o caso pode entrar em contato com a delegacia de Guaraniaçu.
Cerealista Fruet reconhece dívidas
A Cerealista Fruet, empresa atuante no setor agrícola, se manifestou publicamente nesta quinta-feira (25) por meio de seu advogado, Higor Fagundes, a respeito da atual crise enfrentada e das dívidas junto a produtores rurais. Segundo o representante jurídico, a empresa reconhece a existência dos créditos devidos aos agricultores e reafirma o compromisso de honrar todos os pagamentos.
“Existem créditos, sim. A empresa, em momento algum, se nega à existência e ao pagamento desses créditos”, afirmou Fagundes. Ele explicou que, como parte dos esforços para quitar dívidas, a sede da Cerealista Fruet foi vendida, com o valor integralmente destinado ao pagamento de credores.
A manifestação do advogado ocorre em meio a uma série de protestos e cobranças públicas por parte de agricultores que negociaram grãos com a Fruet e alegam não ter recebido os valores combinados.
Segundo Fagundes, a direção da empresa está empenhada em buscar viabilidade financeira para manter as operações e garantir o pagamento dos compromissos assumidos. “Estamos estudando a viabilidade para manter a empresa funcionando. O intuito do proprietário é honrar seus compromissos e seguir operando”, declarou.
O advogado também explicou que parte das dificuldades enfrentadas pela Fruet está relacionada ao afastamento do proprietário, Celso Fruet, por problemas de saúde ocorridos no ano passado. A ausência do empresário teria contribuído para o agravamento da situação financeira e administrativa da empresa.
Apesar das dificuldades, Fagundes garantiu que a Fruet age com boa-fé e possui patrimônio suficiente para arcar com as dívidas. “A empresa tem patrimônio para honrar cada um dos seus credores. Estamos buscando a colaboração dos credores para que possamos dar sequência às atividades e cumprir com todos”, disse.
A Cerealista Fruet não divulgou prazos para o pagamento dos valores devidos nem detalhes sobre eventuais negociações com os produtores, mas afirmou que mantém diálogo aberto com os credores.
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