Queimadas disparam após maio: seca e ventos aceleram avanço do fogo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Freepik

Entre janeiro e 19 de maio de 2025, o Brasil registrou uma queda de 45,6% nos focos de queimadas em relação ao mesmo período de 2024. O cenário parecia mais ameno, impulsionado por condições climáticas mais úmidas e o fim do El Niño. Mas, como já alertava a Climatempo, o pico da temporada de queimadas começa justamente em junho — e os dados mais recentes confirmam o início de uma escalada preocupante.

Desde o início de maio, o número de focos voltou a crescer de forma expressiva. Segundo o BDQueimadas, Mato Grosso lidera o ranking nacional com 2.849 focos, o equivalente a 21,3% do total brasileiro no período. O estado, que até 19 de maio somava 1.559 focos, praticamente dobrou seus registros em poucas semanas. Em seguida aparecem Tocantins com 2.711 focos (20,3%) e Maranhão com 1.778 focos (13,3%).

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Juntos, esses três estados concentram mais da metade das queimadas registradas no Brasil desde maio. A maior parte desses incêndios atinge regiões de Cerrado e zonas de transição com a Amazônia e a Caatinga, evidenciando um padrão regional, mas com potencial de alastramento nacional.
Mesmo regiões menos afetadas, como o Sudeste, merecem atenção: São Paulo, por exemplo, já soma 183 focos (1,4%) no período.

Enquanto o Centro-Oeste e o Norte veem os focos de incêndio crescerem com o agravamento da seca, o Nordeste brasileiro enfrenta um duplo desafio. Segundo o Monitor de Secas, grande parte do interior nordestino já se encontra, desde maio, em situação de seca grave, com impactos relevantes sobre o abastecimento de água, agricultura e saúde pública. Mas há um fator a mais que amplia o risco na região: o início da chamada safra dos ventos. Esse período, que vai de julho a novembro, é conhecido por favorecer a produção de energia eólica — uma das grandes virtudes climáticas do Nordeste. No entanto, os ventos mais constantes e intensos também se tornam um vetor silencioso e perigoso para a propagação de queimadas. Mesmo pequenos focos, que em outros meses poderiam ser rapidamente contidos, ganham velocidade e alcance, dificultando o controle e ameaçando áreas rurais, vegetações nativas e perímetros urbanos.

A combinação entre estiagem prolongada, vegetação extremamente seca e ventos fortes cria um ambiente de altíssima combustibilidade, exigindo atenção redobrada por parte dos órgãos ambientais e das comunidades locais.

Essa correlação entre seca e queimadas mostra que o agravamento climático é um vetor central na escalada dos focos. Mesmo em áreas com menos atividade humana, o fogo se espalha com mais facilidade diante da vegetação seca, baixa umidade e ventos intensos.

O que esperar dos próximos meses? Atenção redobrada!
A tendência para os meses de julho a outubro é de aumento progressivo dos focos, especialmente se houver atraso no retorno das chuvas da primavera. Esse comportamento é recorrente e torna ainda mais importante o monitoramento contínuo das áreas de maior risco.

A queda nas queimadas no início de 2025 foi positiva, mas o avanço acelerado desde maio, com Mato Grosso à frente, evidencia que o cenário pode se agravar rapidamente. A crise da seca se soma aos fatores de risco e exige ações preventivas, fiscalização eficaz e alertas meteorológicos precisos, como os oferecidos pelos sistemas da Climatempo, para proteger a população, ativos de empresas e os ecossistemas mais vulneráveis.

Monitore queimadas com inteligência

O Alerta de Queimadas no SMAC oferece monitoramento avançado com dados meteorológicos integrados, alertas e suporte à tomada de decisão.

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(Com Climatempo)

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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