Produtores de tilápia serão drasticamente afetados pela taxação

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Embrapa

Os produtores de tilápia do Paraná estão em alerta diante da recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos exportados para o país. Edmílson Zabott, presidente do Sindicato Rural de Palotina, expressou sua preocupação e destacou os impactos dessa medida na cadeia produtiva.

Segundo Zabott, os investimentos feitos pelos produtores vão desde melhorias nas cooperativas e plantas frigoríficas até o atendimento rigoroso aos protocolos sanitários, ambientais e trabalhistas. “Fizemos grandes investimentos, tanto na porteira para dentro quanto na porteira para fora, para garantir um produto de qualidade e atender às exigências do mercado internacional e nacional”, explicou.

Ele ressaltou que a produção de tilápia na região Oeste do Paraná é uma das maiores do Brasil, gerando centenas de milhares de empregos e contribuindo significativamente para a economia local e nacional. “Nós, produtores, estamos comprometidos a longo prazo com esses investimentos, mas essa nova tarifa representa um ataque à nossa cadeia, que ainda está em fase de estruturação dentro do agronegócio”, afirmou Zabott.

A preocupação é que a tarifa prejudique o fluxo de exportação para os Estados Unidos, que vinha sendo uma importante porta de entrada para agregar valor ao produto. Zabott também lembrou dos desafios recentes enfrentados pelos produtores, como a gripe aviária, a pandemia de COVID-19 e problemas climáticos que afetaram safras e a produção.

SUCESSÃO FAMILIAR

Zabott também destaca grande preocupação com a evasão familiar do campo. “A produção de peixes é uma atividade que ajudou a estaelecer a sucessão familiar nas propriedades, porque muitos jovens se interessaram pela atividade. Em havendo uma queda drástica como reflexo de uma crise diplomática, podemos também ter como consequência a desmotivação da geração seguinte pelo segmento”.

O impacto é direto e severo para o Brasil, cuja cadeia produtiva tem nos EUA seu principal mercado: mais de 90% das exportações brasileiras de tilápia têm como destino o país norte-americano.

“Não podemos aceitar mais esse ataque, que parece motivado por questões ideológicas e políticas partidárias. O agronegócio é uma das maiores bases da economia brasileira, e a produção de tilápias contribui para colocar o Brasil na quarta posição mundial na produção de pescado”, destacou.

Ele conclamou as autoridades a sentarem à mesa para negociar e buscar soluções que não prejudiquem o setor. “O produtor rural está fazendo sua parte e fazendo bem feito. É preciso que haja consciência e diálogo para proteger essa cadeia que gera empregos, impostos e uma condição social melhor para todos”, finalizou Zabott.

Impacto no Paraná e no setor de pescado

Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, entidade que representa o setor de pescado, reforçou que o reflexo da tarifa é especialmente sentido no Paraná, estado que lidera as exportações de filé de tilápia para os Estados Unidos e que já posiciona o Brasil como o segundo maior exportador do produto no mercado norte-americano.

De acordo com dados do IBGE, 98% dos produtores de peixe no Brasil são pequenos produtores. Com a nova tarifa, grande parte da produção que antes seria exportada deve retornar ao mercado interno, aumentando a oferta e pressionando os preços. Medeiros alertou que essa situação já é difícil devido ao inverno e à elevada oferta nacional, e que a tarifa agravará ainda mais os prejuízos para os produtores.

“Hoje, o produtor já recebe remuneração muito baixa, e essa tarifa só piora a situação, trazendo prejuízos graves para toda a cadeia”, afirmou Medeiros.

A expectativa é que o setor aguarde uma resposta das autoridades brasileiras para negociar uma solução que minimize os impactos dessa medida e proteja os interesses dos pequenos e médios produtores, que representam a maior parte da produção nacional.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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