Produtores de tilápia serão drasticamente afetados pela taxação

Os produtores de tilápia do Paraná estão em alerta diante da recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos exportados para o país. Edmílson Zabott, presidente do Sindicato Rural de Palotina, expressou sua preocupação e destacou os impactos dessa medida na cadeia produtiva.
Segundo Zabott, os investimentos feitos pelos produtores vão desde melhorias nas cooperativas e plantas frigoríficas até o atendimento rigoroso aos protocolos sanitários, ambientais e trabalhistas. “Fizemos grandes investimentos, tanto na porteira para dentro quanto na porteira para fora, para garantir um produto de qualidade e atender às exigências do mercado internacional e nacional”, explicou.
Ele ressaltou que a produção de tilápia na região Oeste do Paraná é uma das maiores do Brasil, gerando centenas de milhares de empregos e contribuindo significativamente para a economia local e nacional. “Nós, produtores, estamos comprometidos a longo prazo com esses investimentos, mas essa nova tarifa representa um ataque à nossa cadeia, que ainda está em fase de estruturação dentro do agronegócio”, afirmou Zabott.
A preocupação é que a tarifa prejudique o fluxo de exportação para os Estados Unidos, que vinha sendo uma importante porta de entrada para agregar valor ao produto. Zabott também lembrou dos desafios recentes enfrentados pelos produtores, como a gripe aviária, a pandemia de COVID-19 e problemas climáticos que afetaram safras e a produção.
SUCESSÃO FAMILIAR
Zabott também destaca grande preocupação com a evasão familiar do campo. “A produção de peixes é uma atividade que ajudou a estaelecer a sucessão familiar nas propriedades, porque muitos jovens se interessaram pela atividade. Em havendo uma queda drástica como reflexo de uma crise diplomática, podemos também ter como consequência a desmotivação da geração seguinte pelo segmento”.
O impacto é direto e severo para o Brasil, cuja cadeia produtiva tem nos EUA seu principal mercado: mais de 90% das exportações brasileiras de tilápia têm como destino o país norte-americano.
“Não podemos aceitar mais esse ataque, que parece motivado por questões ideológicas e políticas partidárias. O agronegócio é uma das maiores bases da economia brasileira, e a produção de tilápias contribui para colocar o Brasil na quarta posição mundial na produção de pescado”, destacou.
Ele conclamou as autoridades a sentarem à mesa para negociar e buscar soluções que não prejudiquem o setor. “O produtor rural está fazendo sua parte e fazendo bem feito. É preciso que haja consciência e diálogo para proteger essa cadeia que gera empregos, impostos e uma condição social melhor para todos”, finalizou Zabott.
Impacto no Paraná e no setor de pescado
Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, entidade que representa o setor de pescado, reforçou que o reflexo da tarifa é especialmente sentido no Paraná, estado que lidera as exportações de filé de tilápia para os Estados Unidos e que já posiciona o Brasil como o segundo maior exportador do produto no mercado norte-americano.
De acordo com dados do IBGE, 98% dos produtores de peixe no Brasil são pequenos produtores. Com a nova tarifa, grande parte da produção que antes seria exportada deve retornar ao mercado interno, aumentando a oferta e pressionando os preços. Medeiros alertou que essa situação já é difícil devido ao inverno e à elevada oferta nacional, e que a tarifa agravará ainda mais os prejuízos para os produtores.
“Hoje, o produtor já recebe remuneração muito baixa, e essa tarifa só piora a situação, trazendo prejuízos graves para toda a cadeia”, afirmou Medeiros.
A expectativa é que o setor aguarde uma resposta das autoridades brasileiras para negociar uma solução que minimize os impactos dessa medida e proteja os interesses dos pequenos e médios produtores, que representam a maior parte da produção nacional.











