Estado e Banco Mundial alinham ações para Segurança Hídrica no campo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Seagri

Após uma semana de visitas de campo no Paraná, representantes do Governo do Estado e do Banco Mundial se reuniram na sede da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPL) nesta segunda-feira (21) para tratar do Programa de Segurança Hídrica (PSH). Esta etapa da missão, de reuniões com os órgãos estaduais que participam do PSH, vai até sexta (25).

O programa é uma ação multissetorial de investimento de US$ 263 milhões, cerca de R$ 1,6 bilhão. Destes, US$ 186 milhões serão financiados pelo Banco Mundial e o restante, US$ 77 milhões, serão uma contrapartida do Estado do Paraná. O objetivo é promover a segurança hídrica para usos múltiplos no Paraná, no contexto das mudanças climáticas, aumentar a disponibilidade de água, inclusive para expansão das áreas agrícolas.

Em março, o Banco Mundial já esteve no Paraná para a 1ª missão de identificação para elaboração do programa. Agora retorna para definir ações prioritárias e refinamento do programa, o que incluiu as visitas de campo e esta nova rodada de reuniões.

As visitas de campo iniciaram na última segunda-feira (14) e ocorreram durante a semana passada nas cidades de Maringá, Umuarama, Loanda, Cianorte e Curitiba. Nesta etapa, os participantes conheceram as realidades da segurança e insegurança hídrica, soluções no manejo agrícola e agropecuário para proteger nascentes, sistemas de irrigação por gotejamento, canalização de água da chuva para conter erosões, entre outras ações.

“Pensamos no futuro do Paraná. Com um investimento de US$ 263 milhões, vamos garantir água segura e sustentável, resolvendo problemas de erosão e esgoto rural, entre outras iniciativas”, disse o secretário estadual do Planejamento, Ulisses Maia. “Cumprimos uma gestão responsável para a manutenção e preservação dos nossos recursos hídricos”.

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, destacou o momento de desenvolvimento, solidez financeira e geração de empregos vivido pelo Estado. “É fundamental destacar que o crescimento e o desenvolvimento no Paraná são sinônimos de respeito ao meio ambiente”, disse. “Estamos transformando nosso agronegócio e agropecuária, convertendo proteína vegetal em proteína animal, em um ciclo sustentável.”

Ele salientou que o Estado reconhece também todos os desafios colocados, incluindo a melhoria da agropecuária na região Noroeste. “Ali o solo é frágil, propenso à erosão, com baixa altitude e menor pluviosidade, resultando em menor capacidade de armazenamento de água”, ponderou. Uma situação que exige atenção, particularmente diante das mudanças climáticas.

“A parceria com o Banco Mundial, com os recursos já aprovados e em processo de aprovação, é crucial. Esperamos que esses recursos, somados à contrapartida do governo estadual, beneficiem a produção sustentável no Paraná, servindo de exemplo para o Brasil”, afirmou Nunes.

USO ADEQUADO E REGULARIZADO

 O PSH tem como objetivo promover a segurança hídrica para usos múltiplos da água no Paraná no contexto das mudanças climáticas. Os resultados esperados são a ampliação do uso adequado e regularizado dos recursos hídricos, da disponibilidade sustentável de água para diversos tipos de usos e da área cultivada com boas práticas sustentáveis de manejo do solo, água e ambiental.

O programa também busca o desenvolvimento da qualidade dos recursos hídricos e da biodiversidade associada; a resiliência da produção agropecuária ao déficit hídrico; o acesso ao saneamento básico no meio rural e da coleta e destinação de efluentes da produção rural. Além disso, também visa a redução de conflitos de uso dos recursos hídricos, do risco de indisponibilidade hídrica no abastecimento urbano e da erosão em áreas urbanas, peri-urbanas e rurais suscetíveis.

Além das secretarias de Planejamento e Agricultura e Abastecimento, o Banco Mundial se reunirá com equipes técnicas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Instituto Água e Terra (IAT), Controladoria Geral do Estado (CGE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).

“Este projeto adota uma visão integral e tem como objetivo melhorar a segurança hídrica, não só o abastecimento de água potável, mas também a agricultura, onde há déficit hídrico”, destacou a especialista em recursos hídricos e gerente do projeto no Banco Mundial, Marie-Laure Lajaunie. “Atuar de forma sustentável para não afetar demais o meio ambiente e também para evitar conflitos entre usos, bem como uma melhoria da resiliência a eventos climáticos extremos, como, por exemplo, a seca”.

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Foto: Victor Guandalini/SEPL-PR

“Sempre que tem uma missão do Banco Mundial, além de termos recursos para melhorar a nossa infraestrutura, temos também uma ampliação na governança entre instituições. Isso é muito importante”, disse o diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do Instituto Água e Terra (IAT), José Luiz Scroccaro.

“Temos as mudanças climáticas e fizemos o monitoramento das áreas subterrâneas na fase anterior do programa. Agora vamos ampliar nesta nova fase, na qual se inclui a implantação do saneamento rural para as pequenas comunidades, que venha fortalecer e dar mais saúde às pessoas”, explicou Scroccaro. “Estamos fazendo uma gestão ambiental, de segurança hídrica, de melhoria nas condições de vida e da infraestrutura em todos os municípios do Paraná”, complementou.

ARENITO CAIUÁ E MICROBACIAS – A área prioritária do programa será o Arenito Caiuá Expandido, que abrange 116 municípios no Noroeste e parte do Centro do Estado. A região tem sido uma das mais afetadas pelos eventos climáticos extremos nos últimos anos.

“Entre 2019 e 2021, uma estiagem severa acendeu um sinal de alerta sobre a recorrência desses eventos. Embora o Paraná mantenha um bom índice pluviométrico anual, a distribuição das chuvas está cada vez mais irregular. Em certos períodos, 10 a 15 dias sem chuva podem resultar em perdas de até 40 sacas de soja por hectare. Além disso, as chuvas concentradas têm causado alagamentos e o retorno da erosão em diversas localidades”, explicou Amauri Pinto Ferreira, gerente de Políticas Públicas e Sustentabilidade do IDR-Paraná.

Ele enfatizou que o Paraná precisa se preparar para a nova realidade climática. “A intensificação da agricultura impacta diretamente a conservação do solo e da água. Os sistemas de cultivo atuais não favorecem a infiltração da água no solo, o que compromete a recarga dos aquíferos”, completou.

Com apoio do Banco Mundial, o IDR-Paraná instalará microbacias de referência em cada município do Noroeste. Nessas unidades, serão implementadas práticas como: terraceamento, o Sistema de Plantio Direto na Palha (SPD), o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), o uso de plantas de cobertura, a recuperação de matas ciliares, a proteção de nascentes e fontes, a implantação de sistemas de tratamento de esgoto rural, a preservação de água de nascentes e chuvas.

O IDR-Paraná também designará um extensionista por região para atuar exclusivamente no programa, além de um residente técnico por escritório local. Esses profissionais serão responsáveis por realizar o diagnóstico das microbacias e adequar as ações às necessidades locais.

A meta é diagnosticar 50 microbacias ainda em 2025 e, até o fim de 2026, alcançar a totalidade das 116 unidades planejadas. “Cada escritório regional do IDR-Paraná estará mobilizado. A conservação do solo e da água é parte da nossa missão, sempre alinhada à geração de renda para o agricultor”, destacou.

PRESENÇAS – Participaram da reunião técnica o diretor o diretor-geral da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), Rodrigo Rodrigues; o diretor-geral da Secretaria do Planejamento, Domingos Trevizan; o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza; o presidente da Adapar, Otamir César Martins; e o diretor administrativo da Sanepar, Fernando Guedes; além de demais representantes das outras entidades participantes do programa.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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