Endividados, produtores de tilápia foram “apunhalados”

A cadeia produtiva da tilápia, uma das mais promissoras do agronegócio paranaense, foi surpreendida por uma notícia considerada devastadora para o setor: a não inclusão do peixe brasileiro entre os produtos beneficiados por uma isenção de tarifas nos Estados Unidos. A medida, anunciada recentemente, atinge em cheio o Paraná, estado líder na produção de tilápias no Brasil.
Em entrevista, o presidente do Sindicato Rural de Palotina, Edmílson Zabott, classificou a situação como “uma péssima notícia” para o setor e alertou para as graves consequências que devem ser sentidas especialmente no Oeste do Paraná. “Abrimos o mercado americano, um dos mais exigentes do mundo, e isso nos deu acesso ao Japão, Canadá e outros países. Mas agora, com essa nova taxação, somos atingidos num momento extremamente delicado”, lamenta.
Segundo Zabott, tanto os produtores quanto a indústria enfrentam alto grau de endividamento e vinham contando com o mercado externo para escoar a produção e aliviar os efeitos da retração do consumo interno, agravado pela perda do poder aquisitivo da população. “Com o mercado interno desaquecido, era o mercado externo que dava vazão à produção e abria novas possibilidades”, afirma.
Consequências imediatas
A resposta do setor já começou: frigoríficos reduziram o abate de peixes, e empresas ligadas à cadeia produtiva — como fabricantes de equipamentos e insumos — também devem cortar investimentos e reduzir pessoal. “Estamos falando de uma ameaça real de desemprego. As consequências serão sociais e econômicas”, alerta o presidente sindical.
Zabott também citou grandes cooperativas, que vinham investindo na produção de peixes e agora deverão reavaliar seus planos diante da nova realidade.
Panorama da tilapicultura
O Paraná é responsável por mais de 180 mil toneladas de tilápia por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), consolidando-se como o principal produtor nacional. O Brasil ocupa atualmente a quarta posição no ranking global de produção de tilápia.
A conquista de mercados exigentes, como Estados Unidos, Japão e Canadá, foi vista como um marco para o setor, ainda em construção, mas com grande potencial de crescimento. A notícia da taxação representa, portanto, um retrocesso significativo.
Apelo por políticas públicas
Diante do cenário, Zabott faz um apelo para que os governos federal e estadual atuem de forma coordenada. “Precisamos urgentemente de políticas públicas de apoio, como renegociação de dívidas e incentivos fiscais. O setor não pode ser deixado de lado”, reforça.
Ele também demonstrou preocupação com a ocupação do mercado americano por concorrentes internacionais: “Se outros países entrarem nesse espaço agora, a nossa retomada será muito mais difícil”.
Esperança de diálogo
Apesar do momento crítico, o líder sindical ainda espera por uma mobilização do governo brasileiro para renegociar o acesso aos EUA e garantir a competitividade da tilápia brasileira no mercado internacional.
“É um golpe duro para o setor, mas ainda há tempo de reverter parte dos danos se houver ação rápida e eficaz”, conclui Zabott.
Saiba mais:
O Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil, com cerca de 34% da produção nacional.
A tilapicultura gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado.
A exportação para os EUA vinha crescendo nos últimos anos e era vista como motor de expansão do setor.











