Endividados, produtores de tilápia foram “apunhalados”

Fernanda Toigo

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Foto: Mapa

A cadeia produtiva da tilápia, uma das mais promissoras do agronegócio paranaense, foi surpreendida por uma notícia considerada devastadora para o setor: a não inclusão do peixe brasileiro entre os produtos beneficiados por uma isenção de tarifas nos Estados Unidos. A medida, anunciada recentemente, atinge em cheio o Paraná, estado líder na produção de tilápias no Brasil.

Em entrevista, o presidente do Sindicato Rural de Palotina, Edmílson Zabott, classificou a situação como “uma péssima notícia” para o setor e alertou para as graves consequências que devem ser sentidas especialmente no Oeste do Paraná. “Abrimos o mercado americano, um dos mais exigentes do mundo, e isso nos deu acesso ao Japão, Canadá e outros países. Mas agora, com essa nova taxação, somos atingidos num momento extremamente delicado”, lamenta.

Segundo Zabott, tanto os produtores quanto a indústria enfrentam alto grau de endividamento e vinham contando com o mercado externo para escoar a produção e aliviar os efeitos da retração do consumo interno, agravado pela perda do poder aquisitivo da população. “Com o mercado interno desaquecido, era o mercado externo que dava vazão à produção e abria novas possibilidades”, afirma.

Consequências imediatas

A resposta do setor já começou: frigoríficos reduziram o abate de peixes, e empresas ligadas à cadeia produtiva — como fabricantes de equipamentos e insumos — também devem cortar investimentos e reduzir pessoal. “Estamos falando de uma ameaça real de desemprego. As consequências serão sociais e econômicas”, alerta o presidente sindical.

Zabott também citou grandes cooperativas, que vinham investindo na produção de peixes e agora deverão reavaliar seus planos diante da nova realidade.

Panorama da tilapicultura

O Paraná é responsável por mais de 180 mil toneladas de tilápia por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), consolidando-se como o principal produtor nacional. O Brasil ocupa atualmente a quarta posição no ranking global de produção de tilápia.

A conquista de mercados exigentes, como Estados Unidos, Japão e Canadá, foi vista como um marco para o setor, ainda em construção, mas com grande potencial de crescimento. A notícia da taxação representa, portanto, um retrocesso significativo.

Apelo por políticas públicas

Diante do cenário, Zabott faz um apelo para que os governos federal e estadual atuem de forma coordenada. “Precisamos urgentemente de políticas públicas de apoio, como renegociação de dívidas e incentivos fiscais. O setor não pode ser deixado de lado”, reforça.

Ele também demonstrou preocupação com a ocupação do mercado americano por concorrentes internacionais: “Se outros países entrarem nesse espaço agora, a nossa retomada será muito mais difícil”.

Esperança de diálogo

Apesar do momento crítico, o líder sindical ainda espera por uma mobilização do governo brasileiro para renegociar o acesso aos EUA e garantir a competitividade da tilápia brasileira no mercado internacional.

“É um golpe duro para o setor, mas ainda há tempo de reverter parte dos danos se houver ação rápida e eficaz”, conclui Zabott.


Saiba mais:

  • O Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil, com cerca de 34% da produção nacional.

  • A tilapicultura gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado.

  • A exportação para os EUA vinha crescendo nos últimos anos e era vista como motor de expansão do setor.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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