Da lavanda à caminhada: turismo rural gera renda extra para produtores

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: IDR-PARANÁ

Há três anos Jacir Wiezbicki conseguiu realizar um sonho antigo: viver na área rural. Ele deixou o trabalho como empresário em Campo Largo, para se instalar na localidade onde nasceu e cresceu, na Colônia Cristina, em Araucária. Jacir fez algumas mudanças na propriedade que herdou da família e criou o Recanto das Lavandas, um espaço para receber turistas. A decisão foi acertada. Pelo menos 1.200 pessoas, mensalmente, passam o fim de semana no Recanto.

Jacir integra a Rota das Lavandas que movimenta produtores em todo o Estado. Criada em 2022 a rota conta com seis propriedades cadastradas, outras sete devem entrar no circuito ainda este ano. Em 12 meses (abril/2024 a abril/2025), 103.738 visitantes geraram R$ 6,1 milhões nas propriedades que integram o circuito. Uma renda considerável, levando-se em conta a área diminuta cultivada com lavanda, de 12,5 hectares.

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Em três anos a Rota das Lavandas já recebeu 255.900 visitantes e apresentou uma renda bruta de R$ 13,2 milhões. Esse recurso foi dispendido pelos turistas em visitas guiadas, restaurantes, cafés e lojas com produtos à base de lavanda. Além das propriedades, o roteiro também inclui um espaço no Museu Dinâmico Inter Disciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), onde o visitante pode fazer uma prática de implantação de lavandário ou aprender a produzir mudas de lavanda.

Outro projeto que mostra a força do turismo rural é o das Caminhadas na Natureza, que já possui 126 circuitos cadastrados em 84 municípios do Estado. O número de caminhantes, em 2024, chegou a 48.352 pessoas e o valor comercializado durante a realização das caminhadas chegou a R$ 1,44 milhão. Em média, cada caminhante gastou R$ 29,92, na compra de serviços ou produtos elaborados pelas 1.011 famílias que têm propriedade nos roteiros das caminhadas. Porém, esse valor varia de acordo com a localidade.

A região de Curitiba concentra o maior número de circuitos no Paraná, 31 ao todo, e de caminhantes, 20.215. Entretanto, quando se observa a renda média gerada, por família, o Interior ultrapassa a Capital. Nos roteiros da região de Paranavaí, cada família recebeu R$ 3.637,50 com as caminhadas. Em seguida estão Cianorte (R$ 2.954,54), Londrina (R$ 2.849), Ivaiporã (R$ 2.527,86 ) e Apucarana (R$ 1.779,16). Curitiba fica em nona posição, com a geração de R$ 1.580 por família, em média.

A região de Irati é a que apresenta o maior gasto médio por caminhante, R$ 65,67. União da Vitória (R$ 61,97), Paranaguá (R$ 53,23), Londrina (R$ 48,86) e Ivaiporã (R$ 45,87) vêm a seguir. Além dos caminhantes, há um número significativo de ciclistas que percorrem os roteiros criados pelo IDR-Paraná.

O diretor presidente do Viaje Paraná, órgão de promoção do turismo no Estado, Irapuan Cortes, também destaca a importância do turismo rural para o setor no Estado. “O turismo rural é muito importante no nosso estado porque temos diversas rotas estruturadas. Essas rotas integram nosso Portfólio de Destinos e Produtos Turísticos, elaborado pelo Viaje Paraná justamente para orientar sobre roteiros estruturados do turismo rural”, destaca.

A coordenadora do Turismo Rural do IDR-Paraná, Terezinha Buzanello, acredita que há muito a fazer na área de Turismo Rural e Agroturismo. “É preciso intensificar ações de qualificação dos produtores, para ampliar a oferta de experiências do agroturismo”, ressalta.

O sucesso da Rota das Lavandas levou o IDR-Paraná a criar outros roteiros turísticos no Estado como a Rota do Queijo, cujos produtores participantes estão sendo capacitados. Ainda este ano a Rota da Erva Mate e a Rota da Uva e do Vinho devem ser oficializados. Estão em estudo outros projetos como a Rota do Morango, a Rota dos Orgânicos e um roteiro de Turismo Técnico-Científico. Neste último, o visitante poderá percorrer propriedades que são modelo em alguma prática agrícola.

(Com AEN/PR)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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