Câmara aprova linha emergencial de crédito para produtores rurais atingidos por desastres naturais

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (16), com 346 votos favoráveis, o relatório do deputado Afonso Hamm (PP-RS) ao Projeto de Lei 5122/2023, que autoriza a liquidação, anistia, renegociação e concessão de descontos em dívidas originárias de crédito rural para agricultores, pecuaristas, piscicultores, pescadores e carcinicultores. A proposta, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), cria uma linha especial de financiamento voltada a produtores rurais impactados por eventos climáticos extremos entre 2020 e 2025.
A medida permite a quitação ou renegociação de dívidas rurais e de Cédulas de Produto Rural (CPRs), com juros reduzidos e prazo de pagamento de até 10 anos, com 3 anos de carência, podendo chegar a 15 anos em casos excepcionais. O limite de crédito é de R$ 10 milhões por produtor e R$ 50 milhões por cooperativa ou associação. As taxas de juros variam conforme o porte do beneficiário: 3,5% ao ano para pequenos produtores, 5,5% para médios e 7,5% para os demais.
Os beneficiários devem comprovar que foram atingidos por desastres naturais reconhecidos por autoridades federais ou estaduais em pelo menos dois anos no período entre 2020 e 2025, além de terem registrado perdas agrícolas significativas e alta inadimplência local. A proposta também veda a capitalização de juros de mora e impede que a adesão à medida gere restrições de crédito.
Segundo o relator, a iniciativa oferece uma resposta concreta e estruturada às dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais frente à crescente frequência de eventos climáticos extremos. “Não se trata de privilégio setorial, mas de uma resposta emergencial à repetida devastação climática que tem comprometido a produção de alimentos, o sustento das famílias rurais e a segurança alimentar do país. Com responsabilidade fiscal e sensibilidade social, oferecemos uma saída concreta para quem está lutando para continuar produzindo”, afirmou Afonso Hamm.
“Esse projeto é um resgate para quem perdeu tudo. Não se trata de benefício, mas de apoio para famílias que ficaram sem renda, sem produção e sem crédito. Aprovamos uma solução real para quem sustenta a economia brasileira com trabalho e coragem no campo”, declarou o deputado Zucco (PL-RS), um dos autores da proposta.
O financiamento será operacionalizado por instituições financeiras com recursos do Fundo Social (Lei nº 12.351/2010) e poderá ser complementado por recursos dos fundos constitucionais (FNE, FNO, FCO) e do Funcafé. “O agro é a locomotiva do nosso país. Mas, neste momento, o produtor rural enfrenta um endividamento jamais visto, muitos sequer sabem se conseguirão plantar na próxima safra. Este Parlamento tem o dever de aprovar medidas que deem suporte a quem sustenta o Brasil. Esse projeto traz exatamente isso: um alívio necessário para que o produtor possa continuar no campo, produzindo e gerando riqueza”, destacou o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS).
O deputado Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que a proposta foi construída em conjunto com o ministro Carlos Fávaro (Mapa), o Banco Central, o BNDES, técnicos do Ministério da Fazenda e de outros órgãos. “É uma proposta séria, que não abre espaço para oportunismos. Cada critério foi definido com base técnica, pensando na real necessidade do campo. A seca atingiu a todos, pequenos, médios e grandes produtores, e esta linha de crédito é uma resposta responsável. Vamos devolver cada centavo ao Fundo Social”, assegurou.
Já o deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS) ressaltou a importância histórica da aprovação do projeto para o setor agropecuário gaúcho e reconheceu o esforço coletivo dos parlamentares que atuaram diretamente pela proposta. “Esta sessão é histórica para nós. Foi graças à interlocução da nossa bancada que avançamos neste tema tanto na Câmara quanto no Senado. A securitização para o agronegócio gaúcho é fundamental para superarmos este momento tão difícil.”
A proposta segue agora para análise no Senado Federal.











