Bezerros geneticamente editados nascem no Brasil

Fernanda Toigo

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A edição foi realizada com a técnica CRISPR/Cas9, que vem sendo chamada de "melhoramento genético de precisão" Foto: Embrapa

A Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira de Angus, anunciou o nascimento dos primeiros bezerros geneticamente editados da América Latina. O projeto visa desenvolver bovinos mais resistentes às altas temperaturas e às mudanças climáticas, utilizando a tecnologia CRISPR/Cas9.

Cinco bezerros da raça Angus nasceram entre março e abril. Os primeiros testes indicam que a edição genética foi bem-sucedida em pelo menos dois deles. O sequenciamento genético realizado pela Embrapa Gado de Leite (MG) confirmou que esses animais apresentam pelos curtos e lisos, característica que melhora a resistência ao calor.

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Impactos da tecnologia na pecuária

A técnica CRISPR/Cas9, considerada um “melhoramento genético de precisão”, promete facilitar a adaptação de raças produtivas às condições tropicais brasileiras. A expectativa é que os animais geneticamente editados sofram menos com o estresse térmico, contribuindo para o bem-estar e aumentando a produtividade pecuária.

Eletroporação de zigotos: inovação no método

A edição genética foi realizada por meio da eletroporação de zigotos, técnica inovadora que utiliza pulsos elétricos para introduzir as alterações diretamente no embrião. Esse método, menos invasivo e mais eficiente, tem sido testado pela Embrapa e pode representar uma alternativa viável para futuras edições genéticas em bovinos.

Parceiros no desenvolvimento

O nascimento dos bezerros geneticamente editados é resultado de uma parceria entre a Embrapa e diversas instituições, incluindo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A colaboração envolve diferentes unidades da Embrapa, como Gado de Leite (MG), Gado de Corte (MS) e Pecuária Sul (RS).

Futuro da bovinocultura nacional

Os cientistas agora estudam o crescimento dos bezerros e a transmissão das características genéticas para futuras gerações. Se a hereditariedade for confirmada, a tecnologia poderá ser aplicada a rebanhos inteiros, acelerando a adaptação das raças produtivas ao clima tropical.

A pesquisa também investiga possíveis efeitos colaterais no genoma dos animais e verifica se eles terão melhor termorregulação quando expostos ao calor. O objetivo final é formar uma pequena população de bovinos geneticamente editados, iniciando um processo de disseminação da característica desejada.

Reconhecimento do setor pecuário

A Associação Brasileira de Angus celebra a inovação como um avanço estratégico para a pecuária nacional. O diretor-executivo da entidade, Mateus Pivato, destaca que o projeto posiciona o Brasil na vanguarda da inovação genética e reforça a competitividade da carne Angus no mercado nacional e internacional. O presidente da Associação, José Paulo Cairoli, ressalta que a edição genética representa um marco na história da bovinocultura e fortalece o compromisso com a evolução da raça.

(Com Embrapa)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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