Projetos vencedores do Agrinho conectam o campo e a cidade

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Faep

A integração entre os meios rural e urbano foi o eixo central dos três projetos premiados na categoria Experiência Pedagógica da 29ª edição do Concurso Agrinho, realizado nesta segunda-feira (4) no Expotrade Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Os projetos desenvolvidos exploraram o tema “Agrinho: do campo à cidade, colhendo oportunidades” e cada professor foi contemplado com um automóvel zero quilômetro.

Essa categoria reconhece o trabalho desempenhado pelos docentes na formação de cidadãos mais conscientes e engajados, inspirando os alunos a adotarem atitudes sustentáveis. Além disso, ao valorizar as iniciativas pedagógicas, o programa estimula a inovação e a criatividade entre os educadores, contribuindo para a melhoria contínua da qualidade do ensino e para a criação de um ambiente escolar mais dinâmico e participativo.

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O projeto que conquistou o primeiro lugar, desenvolvido pela professora Ana Paula Lazzeris Ghellere, da Escola Municipal Serafin Machado de Souza, em São Miguel do Iguaçu, abordou o conceito de empreendedorismo, destacando as relações entre o campo e a cidade, além das oportunidades de atuação em ambos os contextos. Esse é o segundo prêmio de Ana Paula, que já foi contemplada com um carro na mesma categoria em 2017, quando começou a trabalhar com o Agrinho.

“Ser premiada é uma sensação indescritível, pois mostra a valorização do professor. O Agrinho faz a gente acreditar na educação e que somos capazes de transformar. Esse prêmio é resultado de muito trabalho, dedicação e envolvimento de toda a comunidade, de muitos empreendedores do meu município que apoiaram essa ideia. Meus alunos aprenderam sobre sustentabilidade, preservação ambiental e sobre a importância de valorizar todas as profissões, seja no campo ou na cidade. Estou muito feliz”, afirmou.

A professora Juliete Gomes da Silva Póss, da Escola Municipal Caetano Vezozzo, em Cambará, também destacou a importância da integração entre os setores da economia nos meios rural e urbano, com foco na cadeia produtiva do milho, o que lhe garantiu a segunda colocação na categoria. Além disso, o trabalho promoveu reflexões sobre a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente.

Filha de pais analfabetos e que eram trabalhadores rurais, Juliete apostou na educação e hoje é doutoranda em Ensino, na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Ela já tinha participado do Agrinho nas categorias Desenho e Redação, mas foi seu primeiro trabalho inscrito na categoria Experiência Pedagógica. Seu marido e o filho, de dois anos, estavam presentes e se emocionaram com a conquista.

“A partir da curiosidade de um aluno, nós decidimos mergulhar na rota do milho, para conhecer desde o plantio até chegar ao mercado. Nesse caminho, abordamos várias questões”, explicou Juliete. “[A conquista] é a realização de um sonho. Dedico esse prêmio às famílias, aos meus alunos e àqueles que vivem pela educação”, destacou.

Em terceiro lugar, a professora Idana Cristina Menon, do Colégio Estadual do Campo Nossa Senhora de Fátima, no distrito de Guamirim, localizado em Irati, trabalhou a valorização do aluno do campo, ressaltando a importância dos trabalhadores rurais e exaltando a qualidade da produção local de alimentos.

“Eu já trabalhei em uma escola urbana, mas há 15 anos passei a atuar em uma instituição de ensino no campo. Na cidade, eu vivia ganhando chocolate e bala dos meus alunos, já no interior passei a receber como presente repolho, batata e outros alimentos não industrializados. O projeto nasceu dessa percepção, de que é preciso criar uma noção de que campo e cidade coexistem. Assim, promovemos um intercâmbio entre esses dois mundos com uma série de atividades. Ainda não estou acreditando que estou entre as vencedoras. Ganhar esse prêmio, para mim, foi o auge da valorização que já recebi como professora”, celebrou.

Confira abaixo um resumo de cada projeto

1º lugar – Ana Paula Lazzeris Ghellere

Escola Municipal Serafin Machado de Souza

São Miguel do Iguaçu

Projeto: “Escolhemos o hoje, para mudar o nosso amanhã. Empreendendo do campo à cidade”

Unindo o conhecimento do campo às inovações da cidade, a ideia central do projeto foi mostrar aos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I que empreendedores, tanto rurais quanto urbanos, são pessoas que buscam soluções criativas para os desafios do cotidiano e devem estar comprometidos com um futuro sustentável. A experiência reforçou virtudes como respeito, valorização do trabalho e do meio ambiente, destacando o impacto positivo de pequenas atitudes. As atividades incluíram jogos educativos, pesquisas, músicas, livros, palestras, entrevistas, estudos de campo, confecção de brinquedos com materiais recicláveis e apresentações à comunidade escolar.

2º lugar – Juliete Gomes da Silva Póss

Escola Municipal Caetano Vezozzo

Cambará

Projeto: “A rota do milho do campo à cidade: Cultivando conexões, colhendo oportunidades”

Realizado junto a alunos do 4º ano do Ensino Fundamental I, o projeto teve por objetivo integrar conhecimentos teóricos e práticos sobre a cadeia produtiva do milho, de forma interdisciplinar. A iniciativa surgiu a partir da curiosidade manifestada pelos estudantes em sala de aula. O projeto contemplou uma série de ações educativas, que envolveram visitas a plantações, agroindústrias, uma cooperativa e supermercados. Essas ações permitiram aos estudantes compreenderem as etapas da cadeia produtiva do milho, do cultivo e processamento à comercialização. Além disso, a iniciativa incluiu palestras e a criação de um site educativo, que compartilhou o conteúdo aprendido.

3º lugar – Idana Cristina Menon

Colégio Estadual do Campo Nossa Senhora de Fátima

Irati

Projeto: “Exuberâncias do campo, sabores do nosso chão”

A experiência foi desenvolvida com alunos do 7º ano, de uma escola do campo, no distrito de Guamirim, no Sudeste do Paraná. O mote do trabalho envolveu a relação entre o campo e a cidade, envolvendo, em especial, a alimentação saudável. A partir de diálogo, interação, pesquisa, palestra com profissional da área e toda a socialização em sala de aula, cada aluno destacou um produto cultivado em sua casa, bem como um prato produzido por sua família utilizando tal produto. Criou-se, ainda, uma revista e um folder, que foram enviados para uma escola da cidade de Irati. Houve interação, diálogo e novas experiências, compartilhados através de uma colheita e um lanche com sabores da roça.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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