Por que a carne está cada vez mais cara?

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: aguanaboca.org

Para os consumidores, carne mais cara. Para os produtores, recomposição de preços. Foram 12 meses em queda. Fato é que quem vai ao supermercado tem sentido a diferença no bolso.

O Portal Sou Agro foi em busca de respostas junto ao setor, e não há mistério. “A carne está mais cara neste último trimestre de 2024 porque a oferta de animais prontos para abate está restrita e as escalas de abate nos frigoríficos bastante curtas”, explica o pecuarista Lindonês Rizzotto.

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Basicamente lei da oferta e demanda. É a forma com que tradicionalmente o mercado se ajusta. “Na pecuária ocorrem ciclos em que a oferta é alta e os preços baixam, consequentemente o pecuarista diminui o plantel vendendo as fêmeas ( matrizes) então ocorre a falta de oferta de animais para reposição e a consequência menor oferta de animais para abate”.

O pecuarista optou por vender menos animais e não ter prejuízo. Os preços baixos pagos aos pecuaristas desestimularam a ampliação dos rebanhos. Com isso, aumentou o abate de fêmeas e, por consequência diminuiu o nascimento de terneiros. Este ciclo no campo é um dos fatores que fazem a carne ficar mais cara para o consumidor.

Segundo o IBGE o preço médio da carne bovina está 8% mais alto do que em outubro do ano passado. Alguns cortes tiveram alta que supera 10%. E com o aumento das exportações o valor pago pela arroba do boi também ficou mais valorizado.

O bom momento para o setor seguirá pelo menos até o início de 2025.  E não há o que fazer, quem aprecia um bom churrasco vai ter que pagar o preço. O mercado da carne vislumbra preços altos até o primeiro trimestre.

E o câmbio, influencia? O dólar tem pouca relação com a alta dos preços das carnes, apesar de o Brasil estar exportando bastante. “Em 2024 a previsão de exportação supera 2,5 milhões de toneladas. A demanda externa neste ano deve aumentar em torno de 28-30% em relação a 2023. O consumo perca pita no Brasil está em 30 kg /ano/pessoa.”, detalha Rizzotto.

O  Brasil tem um rebanho de 220 milhões de cabeças, contra 90 milhões dos USA, que são os maiores do setor. “Nossa taxa de desfrute está em torno de 27% enquanto nós USA 60%”.

O centro de estudos avançados em economia aplicada, da USP, aponta que o preço do boi gordo está no maior valor em quase dois anos.

(Da Redação)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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