Excesso de chuvas atrasa colheita do trigo e pode prejudicar qualidade e preços

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Pensar Agro

Os produtores de trigo no Rio Grande do Sul enfrentam um desafios inesperado com o atraso na colheita devido ao excesso de chuvas. Nos últimos dias, a precipitação de 35 a 50 milímetros em regiões produtores do sul, obrigou os produtores a interromperem a colheita, impedindo a entrada das máquinas no campo. Esse cenário contrasta com a realidade de boa parte do Brasil, que lida com a seca.

Além de impossibilitar o trabalho no campo, há relatos de que o trigo colhido no último domingo e na segunda-feira já apresenta sinais de perda de FN (Falling Number, veja abaixo), o que indica o início da germinação nas espigas. Apesar de esse volume ser considerado pequeno até o momento, o risco de mais danos aumenta caso as chuvas persistam.

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Essa situação chama ainda mais atenção em um momento em que a maior parte do país enfrenta uma crise hídrica. Enquanto o Paraná também está lidando com o impacto das chuvas na qualidade do trigo, o Rio Grande do Sul, uma das principais regiões produtoras do cereal, segue com expectativas cautelosas para as próximas semanas.

O atraso pode influenciar a oferta, o que, somado à demanda elevada de estados como Paraná e à busca por alternativas no Paraguai, pode pressionar os preços no mercado interno. Em Santa Catarina, por exemplo, os preços pagos aos produtores começaram a reagir em setembro, segundo dados do boletim Epagri. O preço médio do trigo com PH 78 subiu 4,33% no mês e 17,28% em termos reais na variação anual.

No Rio Grande do Sul, o preço médio registrou uma queda mensal de 0,84%, mas, em um ano, houve alta de 13,35%. Já no Paraná, o preço médio anual do trigo no mercado-balcão teve um aumento significativo de 46,90%, destacando a valorização no estado. Com as chuvas recentes, há preocupação de que a qualidade do trigo colhido seja afetada, uma vez que o excesso de umidade pode reduzir o FN e limitar seu uso industrial.

No Paraná, as chuvas causam preocupações quanto à qualidade do trigo, o que leva moinhos a buscar matéria-prima no Rio Grande do Sul, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada, que chegam a R$ 1.640/t CIF, sugerindo uma possível alta futura nos valores. O mercado local se mantém firme, com disputa entre cooperativas e cerealistas pelo produto para seus armazéns. Além disso, o trigo importado do Paraguai segue competitivo, com preços subindo para R$ 1.430 CIF em Cascavel e R$ 1.460 CIF em Ponta Grossa, mas as indicações dos compradores têm caído, mostrando um movimento instável.

SAIBA MAIS – O FN (Falling Number) é um indicador usado para medir a qualidade do trigo, especialmente em relação à atividade enzimática que ocorre quando o grão começa a germinar. O teste de Falling Number mede quanto tempo uma mistura de farinha de trigo e água leva para engrossar sob calor controlado. Se o FN for baixo, indica que o trigo passou por um processo de germinação, o que diminui sua qualidade, pois o amido foi degradado, prejudicando a capacidade de panificação.

 

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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