Campos naturais de corredor ecológico correm o risco de desaparecer

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto mostra o avanço da agricultura e da produção de pinus na área dos campos naturais no município de Água Doce (Foto: Divulgação/Epagri)

Um estudo recente da pesquisadora da Epagri/Ciram Juliana Mio identificou a possível extinção dos campos naturais na área do Corredor Ecológico do Rio Chapecó. A área fica no Oeste de Santa Catarina e foi criada pelo Decreto Estadual 2.957/2010 para preservar as florestas nativas do local, essenciais para a manutenção da biodiversidade.

O cenário de extinção do corredor foi previsto por Juliana em sua pesquisa de doutorado. Para isso, ela analisou o uso e cobertura da terra utilizando métodos de construção de cenários e recursos de Inteligência Artificial. “Entre 2000 e 2018, a área de campos naturais reduziu em 55% com o avanço do setor agropecuário. Cenários preditivos indicam que, se essa tendência continuar, apenas 0,5% dos campos naturais restarão em 2036. Em um cenário de recessão econômica, essa cobertura pode reduzir ainda mais, para 0,2%”, explica a pesquisadora.

Mapa mostra a redução de área de campos naturais no Corredor Ecológico em 2000, 2018 e em simulação para 2036 (c)

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De acordo com Juliana, a situação dos campos naturais no Corredor Ecológico do Rio Chapecó não é isolada. Em outras regiões, como no Planalto Sul, 72% da expansão da soja ocorreu em detrimento de áreas de campos naturais nos últimos 10 anos, conforme estudos coordenados pelo pesquisador da Epagri/Ciram, Kleber Trabaquini.

Agravamento de problemas ambientais

Juliana alerta que a perda desses campos naturais agrava problemas ambientais, como as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. “Nosso papel como empresa de pesquisa agropecuária é realizar esses estudos para subsidiar a elaboração de políticas públicas que garantam a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade”, argumenta Juliana.

Ela reforça que a preservação dos campos naturais é essencial para a manutenção dos serviços ecossistêmicos e para mitigar os impactos ambientais adversos. Serviços ecossistêmicos são tudo aquilo que um ecossistema fornece ao ser humano além de alimentos e água. Como exemplo temos a regulação da qualidade do solo, do ar, da água, do clima e ciclagem de nutrientes, entre outros.

O Corredor Ecológico do Rio Chapecó possui 5 mil km² e abrange 23 municípios. Ele protege importantes remanescentes da Floresta de Araucária, de Campos Naturais e da Floresta Estacional Decidual, conhecida como Mata do Alto Rio Uruguai.

Ações para reverter o cenário

A pesquisadora explica que os resultados do estudo apontam para a urgência de ações de intervenção territorial para recuperação e conservação dos campos naturais.  “É necessário que documentos de gestão territorial, como o Plano de Gestão do Corredor Ecológico do Rio Chapecó e o Plano de Desenvolvimento SC 2030, entre outros instrumentos, incluam medidas claras e direcionadas à conservação e a recuperação desses ecossistemas”, frisa.

A IG do queijo serrano promove a preservação dos campos naturais, essencial para alimentação do gado que produz o leite para a fabricação do queijo (Foto: Divulgação/Epagri)

De acordo com Juliana, a Epagri tem desenvolvido diversas ações para a conservação e recuperação dos campos naturais em Santa Catarina. Um exemplo é valorização do queijo artesanal serrano. Produzido com leite cru integral e gado alimentado com pasto nativo, o queijo recebeu uma Indicação Geográfica (IG) do INPI, na modalidade Denominação de Origem, para uma área de cerca de 1.439.900 hectares nos estados de SC e RS. “Essa certificação não só apoia o desenvolvimento sustentável, como também destaca a importância da preservação dos ecossistemas locais”, diz ela.

Além disso, Epagri também implementa práticas como o manejo sustentável dos campos naturais, plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta e restauração de áreas degradadas. Todas elas que ajudam a reduzir as emissões de carbono, melhorar a saúde do solo e recuperar a biodiversidade. Aliado a isso, a Empresa oferece suporte técnico e capacitação aos produtores rurais para adotar essas práticas conservacionistas, sublinhando seu compromisso com a sustentabilidade e a preservação ambiental.

(Com Epagri)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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