Tempo às avessas: Previsão de inverno sem frio. Será?

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Lá vem ele, o inverno. No Paraná o outono se despediu com temperaturas altas para a época. Um junho diferente. Algumas cidades do Norte e Noroeste se despediram da estação com calor de 30ºC, tempo muito seco e sem previsão de chuva, pelo menos, por hora.

O inverno chega nesta quinta-feira (20) e os modelos meteorológicos, previsões e palavras de especialistas indicam que não teremos um inverno tão rigoroso. O frio pode acontecer, mas não por períodos prolongados. Que surge de forma inesperada neste período é o chamado veranico.

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O engenheiro agrônomo, Ronaldo Coutinho, cogita chuva para o Oeste do Paraná, talvez, a partir da próxima quarta-feira.

Como a expectativa é de que a La Niña chegue ao Paraná apenas entre agosto e setembro, o estado pode experienciar um frio tardio. Temor para as lavouras. Sai El Niño, chega La Niña. El Niño é um fenômeno que provoca o aquecimento acima do normal das águas do oceano Pacífico. A La Ninã tem os efeitos opostos do El Niño, diminui a temperatura do Oceano Pacífico, resfriando também a atmosfera. Seus efeitos clássicos no Brasil são:

  • aumento de chuvas no Norte e no Nordeste;
  • tempo seco no Centro-Sul, com chuvas mais irregulares;
  • tendência de tempo mais seco no Sul;
  • condição mais favorável para a entrada de massas de ar frio no Brasil, gerando maior variação térmica.

o Hemisfério Sul, o inverno começa no dia 20 de junho de 2024, às 17h51, e termina no dia 22 de setembro, às 9h44 (horário de Brasília). Climatologicamente, a estação é marcada pelo período menos chuvoso das regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, enquanto os maiores volumes de precipitação (chuva) ficam concentrados sobre o noroeste da Região Norte, leste da Região Nordeste e parte da Região Sul do Brasil (figura 1a) 

A redução das chuvas em grande parte do País nesta época do ano acontece devido à persistência de massas de ar seco, que ocasionam a diminuição da umidade relativa do ar, o que consequentemente, favorece o aumento da incidência de queimadas e incêndios florestais, bem como aumento de doenças respiratórias. 

Além de uma menor incidência de radiação solar, a estação caracteriza-se também pelas incursões de massas de ar frio, oriundas do sul do continente, que provocam queda na temperatura do ar, resultando em valores médios inferiores a 22ºC sobre a parte leste das regiões Sul e Sudeste do Brasil (figura 1b). Essa diminuição de temperatura pode ocasionar: formação de geadas nas regiões Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul; queda de neve nas áreas serranas e planaltos da Região Sul e episódios de friagem em Mato Grosso, Rondônia, Acre e no sul do Amazonas. 

Durante a estação, em função das inversões térmicas no período da manhã, são comuns as formações de nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com redução de visibilidade, especialmente em estradas e aeroportos.

Figura 1: Climatologia para o trimestre julho, agosto e setembro de: (a) precipitação (chuva) e (b) temperatura média do ar. Período de referência: 1981 – 2010. Fonte: INMET.

Confira o Prognóstico Climático do INVERNO/2024 para todas as regiões do Brasil. 

O Instituto Nacional de Meteorologista (Inmet) é um órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e representa o Brasil junto à Organização Meteorológica Mundial (OMM) desde 1950.

(Com Mapa/Inmet)

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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