Pecuarista suspeito de lançamento aéreo para transformar mata nativa em pasto terá multa de R$ 5 bilhões

Fernanda Toigo

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Foto: Divulgação Polícia Civil

 

A audiência para o depoimento era aguardada, mas o pecuarista suspeito entrou e saiu em silêncio da sala virtual. Agora, segundo a delegada Liliane Muratta, o passo seguinte é o encerramento da investigação com o relatório e posterior encaminhamento à Justiça Para análise do Ministério Público de Mato Grosso e oferecimento da denúncia.

O pecuarista, dono de 11 fazendas o Pantanal, segundo a Polícia Civil, dedicou três anos da sua vida para desmatar uma área de aproximadamente 80 mil hectares com o objetivo de plantar capim e alimentar o gado. A dimensão do prejuízo em território correspondente ao tamanho da cidade de Campinas, em São Paulo.

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O que também chama a atenção é a forma de atuação para o sucesso do grande feito. O pecuarista teria feito o lançamento aéreo de agrotóxicos sobre a mata preservada. De acordo com a investigação,  foram usados 25 herbicidas diferentes, entre eles, o 2,4-D.

Para a reportagem do Fantástico, o professor Wanderlei Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso, diz que esta é a mesma composição do chamado agente laranja, um desfolhante químico altamente tóxico, usado pelos Estados Unidos, na Guerra do Vietnã.

Com a deriva impulsionada pelos ventos, os agrotóxicos migraram para várias áreas, atingindo a uma distância de até 30 quilômetros, causando prejuízos à fauna e flora. Peritos comprovaram laboratorialmente a contaminação da vegetação, solo e água. Os produtos foram classificados como potencial de periculosidade ambiental III.

O pecuarista de 52 anos tem precedentes em crimes ambientais. Em um processo foi réu por tentar alterar o curso de um rio e foi flagrado desmatando área de preservação. De 2019 até agora são 15 autuações por danos ao meio ambiente no Pantanal.

“Alguns crimes são muito nítidos e a gente já pode adiantar: uso e aplicação indevida de agrotóxico; desmatamento de área de proteção ambiental e áreas de preservação permanente; e o crime de poluição em razão da destruição significativa da flora. E isso por várias vezes”, disse Ana Luiza Peterlini, promotora de Justiça ao Fantástico.

Ainda é impossível ter uma estimativa de quantos anos de cadeia ele pode pegar se for condenado, mas as multas já estão calculadas: somadas, chegam a quase R$ 3 bilhões.

O suspeito ainda terá que arcar com a reparação dos danos ambientais que causou ao Pantanal: são mais R$ 2 bilhões e 300 milhões para recuperar a vegetação.

As propriedades dele vão ser administradas por uma empresa escolhida pela justiça até que terminem as investigações sobre esse crime ambiental de proporções gigantescas.

(Com G1)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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