AGRICULTURA

Doenças do cajueiro exigem manejo preventivo para reduzir prejuízos

O cajueiro é uma planta tropical, originária do Brasil, reconhecido como centro de origem da espécie, sendo dispersa em quase todo território brasileiro, onde se destaca pela domesticação e elevado aproveitamento econômico.

A cultura é de fundamental importância socioeconômica para a região Nordeste, devido aos empregos que gera, caracterizando-se como uma das mais importantes fontes de renda das populações. Nessa região, ocupa uma área de 584 mil ha, representando 99,6% da área com caju do Brasil.

Apesar da elevada importância socioeconômica, a produtividade da cajucultura nordestina é limitada por fatores fitossanitários, dentre os quais se destaca a incidência de doenças fúngicas que constituem entraves à exploração eficiente, seja pelos danos diretos na fisiologia e na integridade física ou indiretamente na interação com outros tipos de estresses.

Existe uma série de doenças causadas por fungos que prejudicam os plantios de caju, no entanto, aqui serão abordadas a duas fitomoléstias de maior ocorrência: o oídio e a antracnose.

Antracnose

A antracnose está disseminada em todas as localidades onde se encontra a cultura do cajueiro, inclusive em plantios espontâneos, podendo ocorrer em qualquer fase de desenvolvimento da planta.  No Nordeste, a doença encontra-se presente em todas as áreas de cultivo, sendo bastante severa em épocas mais úmidas e temperaturas amenas, ao redor de 25ºC. Em anos com condições favoráveis ao patógeno, as perdas na produção podem atingir até 40%.

A doença é causada por um complexo de várias espécies do fungo Colletotrichum. Os sintomas ocorrem nas folhas, nos ramos, nos pedúnculos, nos maturis e nos frutos (CARDOSO & FREIRE, 2002; VELOSO et al., 2022). Nas folhas e nos ramos, são manchas necróticas de coloração marrom-avermelhadas quando jovens, tornando-se pardas e escuras quando os órgãos afetados atingem a maturidade. No pedúnculo e na castanha, são manchas escuras, geralmente apresentando rachaduras.

O controle da antracnose restringe-se ao uso de clones resistentes ou tolerantes e à aplicação de fungicidas, sendo recomendados os fungicidas azoxystrobina, difeconazole e oxicloreto de cobre.

Oídio

O oídio do cajueiro é a doença mais importante da cultura, disseminada em todas as áreas produtoras, principalmente na região Nordeste. As perdas na produção de castanha provocadas pela doença podem chegar até a 80%. Além disso, os pedúnculos do caju ficam impróprios para a comercialização como fruta de mesa e até mesmo o aproveitamento industrial é comprometido.

A doença é causada pelo fungo Erysiphe quercicola (morfologicamente descrito anteriormente como Oidium anacardii), parasita obrigatório do cajueiro. Os danos à produção de castanha e à qualidade do pedúnculo são inestimáveis em razão das condições de ambiente favoráveis em todas as regiões produtoras. Os sintomas são observados nas folhas, nas flores, nos maturis, nos pedúnculos e nas castanhas. O sintoma característico é um revestimento branco, assemelhando-se a um pó inicialmente branco (estruturas reprodutivas do fungo), tornando-se acinzentado quando os órgãos atacados atingem a maturidade.

A prevenção à doença é a melhor estratégia a ser implementada. Os produtores precisam ficar atentos e agir logo que surgirem as novas brotações (panículas), utilizando produtos à base de enxofre, registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), para controlar o fungo que provoca a doença.

Artigo: Antonio Alberto Rocha Oliveira (Engenheiro-agrônomo, Ph.D., pesquisador especialista em fitopatologia)

Com Embrapa

Tatiane Bertolino

Recent Posts

Derrubada da cobrança do Funrural gera revisão de dívidas

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional, nesta quinta-feira (15.10), a cobrança do Fundo de…

outubro 16, 2026

Cotações Agropecuárias: Preços seguem estáveis na maioria das regiões

Os preços dos ovos permanecem estáveis na primeira quinzena de outubro na maioria das regiões…

outubro 16, 2026

Queijaria do Sudoeste incorpora turismo rural no negócio

Empresa Irmão Queijeiro diversifica as atividades na propriedade em Chopinzinho, fortalecendo o projeto da família…

outubro 16, 2026

Crédito Rural cai 20,2% e custo da soja supera R$ 5 mil por hectare

O acesso ao Crédito Rural se tornou um dos principais desafios para o financiamento da…

outubro 16, 2026

Famílias e animais de área rural atingidos por alagamentos pedem ajuda

A Prefeitura de Toledo mobilizou equipes das secretarias do Meio Ambiente e de Assistência Social…

outubro 15, 2026

FAEP percorre 20 mil quilômetros para visitar 155 sindicatos rurais

Desde 2024, presidente da entidade está à frente do projeto ‘Sistema FAEP no Trecho’, para…

outubro 15, 2026

O site SOU AGRO utiliza cookies e outras tecnologias

Leia Mais