Inverno atípico e chuva contribuíram para quebra no trigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Pixabay

Conforme a colheita do trigo avança no Paraná, os impactos das condições climáticas atípicas do inverno, na produtividade da cultura, vão ficando mais evidentes. De acordo com o analista de trigo do Deral/Seab-PR, agrônomo Carlos Hugo Godinho, o cenário vem sendo registrado de forma generalizada, mas na região oeste se concentram os casos mais graves e grande parte da quebra pode ser depositada na conta do calor e da chuva, ambos ou em excesso, ou em períodos inesperadas. “Este ano tivemos um inverno de temperaturas médias mais altas e ausência de frio severo, bem como registro de chuva significativa em momentos que impossibilitaram o controle de pragas nas lavouras, essa combinação teve impacto no desenvolvimento da planta. O nosso levantamento vem indicando perdas no Estado como um todo, mas as áreas ainda não colhidas podem vir com melhores resultados e equilibrar a produção”, explica Godinho.

A economista do Deral, da regional de Cascavel, Jovir Esser, detalha os problemas enfrentados pelos produtores da região oeste. “No início a cultura se desenvolveu muito bem, mas o excesso de chuva em determinados momentos do ciclo normal da planta não permitiu que os tratos culturais acontecessem, o que resultou em incidência significativa de doenças. A incidência de brusone (doença causada por fungo) continua sendo uma preocupação nas lavouras de trigo e a produtividade se mantém abaixo da expectativa inicial nas áreas colhidas.  Ainda durante o ciclo da cultura, vários municípios da nossa regional foram afetados por ventos fortes que provocaram o acamamento das lavouras. Com esses fatores, a consequência está sendo extremamente negativa ao produtor, pois além de produtividade abaixo do esperado e a maioria das lavouras colhidas até agora têm sido classificadas com Ph abaixo de 78% e também há um percentual muito significativo de triguilho”, esclarece a economista.

No Paraná, 35% da área de trigo já foi colhida. Há lavouras com plantas em diversas fases: 49% em maturação, 35% maturação, 10% floração e 6% em desenvolvimento vegetativo. De acordo com a Secretaria de Agricultura 73% das lavouras estão em boas condições, 12% é classificada como média e 6% estão em condições ruins.

Milho foi beneficiado pelo clima

Se por um lado a produção de trigo vem sofrendo quebra por conta das condições climáticas, o milho segunda safra se beneficia delas. “Para o milho as temperaturas médias mais altas e a boa distribuição de chuvas foram determinantes para a boa produção”, garante o analista do Deral, Hugo Godinho.

No Oeste, a produção registrada até o momento, das áreas já colhidas, comprova o bom impacto climático. “A colheita do milho está sendo finalizada na regional de Cascavel e com resultado acima do esperado. Mesmo com plantio tardio e com parte das lavouras plantadas fora do zoneamento agrícola, tivemos boas condições do clima para o milho e a produtividade na nossa regional deve fechar próxima de 6.600 kg por hectare” ressalta a economista do Deral da regional de Cascavel, Jovir Esser.

A colheita da segunda safra de milho evoluiu esta semana e chegou a 89% da área total estimada em 2,37 milhões de hectares no Paraná. A produção esperada é de 13,98 milhões de toneladas, a maior safra da história para o período. Neste momento restam apenas 260 mil hectares a serem colhidos e quase metade dessa área está situada na região norte do Paraná, que normalmente planta mais tarde a cultura.

 Preços não cobrem custos

Mas se algo que as duas culturas têm em comum é que o preço pago pela saca não deve cobrir os custos da produção. “Com as atuais cotações do trigo, essas médias de produtividade não são suficientes para cobrir os custos de produção, e já é possível afirmar que esta será uma safra com prejuízo para a maioria dos produtores. Mas mesmo com o milho obtendo bons resultados a maioria dos produtores não conseguirão cobrir os custos de produção já que a cotação de ambos está em queda”, lamenta Jovir.

Para se ter uma ideia, em relação ao milho, na última semana o preço recebido pelo produtor pela saca de 60 kg foi cotado inferior a R$ 44,00. A cotação atual é em torno de 42% menor que o fechamento de setembro de 2022.

 Esperança na safra de verão

 Com a constatação de prejuízo na safra de inverno, a aposta do homem do campo está na safra de verão, que começa a ser plantada agora. “O futuro cenário da safra verão 2023 e 2024 está sendo a grande aposta dos produtores para compensar o resultado negativo quanto ao milho segunda safra e o trigo principalmente em relação aos preços. Com as chuvas registradas esta semana, o plantio da soja iniciou com boas condições de umidade de solo a perspectiva é que o clima sob a influência do El niño seja extremamente favorável durante todo o ciclo das culturas de verão”, concluí Jovir. 

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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