APICULTURA

Estudo sobre abelhas sem ferrão que produzem mel “diferente” é apresentado no Chile

As abelhas semferrão têm uma importância econômica e ambiental estratégica na polinização de diversas culturas agrícolas.

Uma pesquisa coordenada pela bióloga Sidia Witter, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com pesquisadores de outras instituições, está estudando as abelhas sem ferrão guaraipo (Melipona bicolor schencki) nas áreas de ocorrência natural com o objetivo de proteger os serviços de polinização e a produção de mel.

Estas abelhas ocorrem em áreas de Mata com Araucária, nos Campos de Cima da Serra, e produzem um mel diferenciado, típico da região de Cambará do Sul, conhecido por mel branco. Esta é uma espécie que está incluída na lista das espécies ameaçadas do Rio Grande do Sul.

Os primeiros resultados foram apresentados no 48º Congresso Internacional de Apicultura (APIMONDIA), realizado na última semana, no Chile, em forma de poster. Participam do estudo os pesquisadores Sidia Witter e Bruno Lisboa, da Seapi, Leticia Azambuja Lopes, da Universidade Luterana do Brasil, Cláudio Augusto Mondin, do Instituto Conectar Ambiental, Betina Blochtein, do Mais Abelhas Consultoria Ambiental e Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.

O estudo

O estudo “A abelha-sem-ferrão guaraipo (Melipona bicolor schencki) escolhe a espécie arbórea para construir seu ninho no Sul do Brasil?” está sendo realizado na propriedade de um apicultor/meliponicultor no município de Cambará do Sul. A pesquisa faz parte de um projeto maior desenvolvido pelo DDPA chamado “Meliponicultura como alternativa de conservação da biodiversidade e agregação de renda à pequena propriedade”.

“Os ninhos da abelha guaraipo na natureza foram analisados para verificar se essa espécie de abelha-sem-ferrão tem preferência por construir seus ninhos em alguma espécie de árvore da Mata com Araucária”, destaca Sidia.

O estudo mostra que essa espécie de abelha vive em áreas de floresta preservada, em altitudes elevadas e baixas temperaturas e tem preferência por construir seus ninhos em espécies de árvores da família Lauraceae (canelas), especialmente a canela vermelha (Aiouea amoena) onde foram encontrados 40% dos ninhos registrados. E 70% dos ninhos foram encontrados em árvores com diâmetro de 40 centímetros à altura do peito.

A pesquisa em andamento disponibiliza subsídios para implementação de práticas amigáveis aos polinizadores e políticas públicas para prevenir o declínio das populações de guaraipo e o uso sustentável em áreas de ocorrência natural. Práticas amigáveis aos polinizadores consistem em ações que favorecem a atração e permanência de polinizadores em áreas de plantio e, em consequência, contribuem para o desenvolvimento das culturas.

Medidas de proteção

Para a conservação da guaraipo na Mata com Araucária, seus serviços de polinização e produção de mel o estudo indica uma série de ações: evitar o desmatamento, proteção das espécies de árvores que servem para o estabelecimento dos ninhos, especialmente da família Lauracea (canelas) e a canela vermelha (Aiouea amoena), conservação das áreas de mata nativa, criação e manejo da guaraipo nas áreas de ocorrência natural e o cultivo plantas nativas que sustentem os polinizadores em margens de estradas, bordas dos campos, cercas vivas entre outros.

De acordo com a pesquisadora, é indicado também criar ou manter espaços com jardins e hortas para alimentar as abelhas e incentivar a diversificação da produção na propriedade. Se recomenda ainda a proteção da carne-de vaca (Clethra scabra),  espécie de árvore nativa que serve para produção do mel branco e como substrato para estabelecimento dos ninhos, produção de mudas de espécies de plantas de interesse para ninhos e recursos alimentares para as abelhas.

(Com Maria Alice Lussani – Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul )

Tatiane Bertolino

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