Pesquisa quer conhecer a fundo obstáculos para exportação do ponto de vista do produtor

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

FOTO: Gilson Abreu

Para dar voz e avaliar a maturidade dos produtores rurais e os principais problemas e dificuldades que enfrentam no processo de exportação de produtos agrícolas, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), em parceria com a Agroconsult, realiza a pesquisa nacional “Desafios à internacionalização do Agro Brasileiro”. A iniciativa busca mapear os principais gargalos existentes na estrutura produtiva e na política comercial brasileira que impedem ou dificultam a inserção do produtor rural do país às cadeias globais de valor. A pesquisa permitirá a compreensão dos problemas e servirá como orientação para propor ações que visem solucionar e facilitar a internacionalização do setor por meio da atuação do Sistema CNA/Senar junto ao setor privado e ao Governo Federal.

A pesquisa tem como público-alvo os pequenos, médios e grandes produtores rurais das 27 unidades da federação e dos mais diversos segmentos do agronegócio (agricultura, pecuária, silvicultura, apicultura, psicultura etc). “É importante a participação na pesquisa de produtores de diversos estados, culturas e experiências de exportação. Até mesmo quem não exporta deve responder à pesquisa porque esses produtores podem apontar questões estruturais que impedem ou dificultam a exportação”, explica Debora Simões, sócia da Agroconsult. Para participar, acesse: Desafios à Internacionalização do Agro Brasileiro | Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) (cnabrasil.org.br)

AGRO, O FIEL DA BALANÇA

Responsável por 48% das exportações brasileiras e pelo superávit comercial do país, o agro ganha relevância no aspecto regional por sua representatividade na balança comercial de vários estados. Conforme levantamento da Agroconsult, 15 estados têm no agro a sua principal fonte de receita de exportação (participação das exportações agrícolas superior a 50% da pauta exportadora). Além do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com participação do agronegócio de 98% e 96%, respectivamente – juntos somam cerca de R$ 40 bilhões de produtos do agronegócio exportados em 2022 – Acre, Piauí, Rondônia e Tocantins tem quase a totalidade das vendas externas focadas no agro. Outros cinco estados – Goiás, Roraima, Alagoas, Paraná e Rio Grande do Sul – registraram participação acima de 70% das exportações de produtos do agronegócio em 2022 do total exportado por cada estado.

Nos últimos anos, o Brasil vem ampliando o número de parceiros comerciais e em 2022 os produtos agrícolas brasileiros desembarcaram em 220 países. Apesar da diversificação de destino, nossos três principais parceiros comerciais (China, Estados Unidos e Países Baixos) representam 41% das nossas exportações, sendo somente a China responsável por 34% do total dos embarques brasileiros. Analisando a pauta exportadora, observa-se também a grande participação de soja, milho, carne bovina, açúcar e café. Juntos, os cinco produtos representam 55% das exportações agrícolas.

O Índice de Diversificação Setorial (GSDI) brasileiro, mostra, que, de fato, a pauta de exportação do país é mais concentrada que a de outros países exportadores de produtos agrícolas – enquanto o indicador brasileiro é de 0,23, União Europeia, Estados Unidos e China detém um índice de 0,56 e 0,54 e 0,34, respectivamente (lembrando que, quanto mais próximo de 1 estiver o índice, mais diversificada é a pauta exportadora do país). “A liderança global que já atingimos em alguns produtos deve ser celebrada. Porém, a elevada concentração de produtos na pauta de exportação pode indicar dificuldades dos agricultores brasileiros em diversificar e agregar valor em especial aos produtos que não são as principais commodities, seja por questões internas – como logística e aspectos regulatórios e tributários – por barreiras e exigências impostas por outros países, falta de clareza e consistência nas ações de promoção comercial ou mesmo desconhecimento e dificuldades iniciais com relação aos processos para abrir mercados” afirma Débora.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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